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Aeon - A Evolução da Fórmula Mágica

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Aeon - A Evolução da Fórmula Mágica

Mensagem por Mephisto em Dom Fev 16, 2014 5:53 pm

"eon" - uma idade, vida, eternidade.

Æon é um período de cerca de 2000 anos que caracteriza a duração de um determinado ciclo regido por determinados conceitos mágicos na filosofia thelémica. O Aeon actual é o de Hórus, iniciado em 1904, também nome de um deus gnóstico.

A Evolução da Fórmula Mágica

Uma Fórmula Mágica é uma exposição da percepção de um facto cosmológico ou de uma teoria. E pode ser tão simples quanto ao axioma: “ama teu próximo como a ti mesmo”; “comer uma maçã diariamente mantém o médico afastado”; “de grão em grão a galinha enche o papo”, etc. Pode ser também uma exposição ou grupo de símbolos revelando o mecanismo de uma lei natural: como “embaixo assim é em cima”; “Tudo é dor”; “Amor é lei, amor sob vontade”; E=MC2; IHVH; IAO; Thelema.
Pode ser uma simples palavra que inicia uma era inteira: “Tao”; “Anatta”; “INRI”; “Aum”. Uma fórmula mágica desenvolve-se de fórmulas antigas, tal como a habilidade humana de perceber a si mesma e ao crescimento do Universo. Uma mudança na consciência da raça humana necessita uma mudança na fórmula mágica. Não é que a antiga fórmula não mais funcione, mas é a nova que funciona melhor.
As obsoletas fórmulas do passado não são necessárias e completamente descartadas, mas são sempre rectificadas e finalmente ajustadas para melhor harmonizar-se com a nova, expandindo-se o entendimento da lei natural e espiritual.
Usando um aparente não mágico exemplo: um carpinteiro ou um padeiro procura determinar a área de um círculo. Um grande magista revela-lhe que a área do círculo pode ser determinada medindo-se o raio do círculo, então multiplicando-se este resultado por si mesmo, e então multiplicando-se o resultado pelo “sagrado número 3”. Naqueles antigos tempos esta fórmula servia rudemente para pequenos fins. Mas para maiores e mais complexos projectos (tais como templos, pirâmides, etc.) eram necessários cálculos mais precisos. Então o mundo teve que esperar pela “magia” do número (Pi). Na matemática, torna-se mais fácil resolvemos um problema empregando a álgebra do que usando o sistema da aritmética. Todo o estudante sabe muito bem disto. Todo o estudante sabe muito bem disto.
Uma vez que esta nova descoberta tornou-se um conhecimento geral, o mundo modificou-se.
Embora este seja uma crua analogia, suponho que o Aspirante pode ser como ela se aplica à nosso contínua evolução na percepção de nós mesmos e de nosso lugar no Universo.

A Fórmula da Nova Era

Grandes períodos espirituais (Eras ou Aeons) são caracterizados por suas fórmulas mágicas. Isto é muito mais importante e fundamental ao entendimento da Magia em geral e da Magia Thelemica em particular, pois o nosso planeta entrou num Novo Período, uma Nova Era, um Novo Aeon.
A Era de Aquarius-Leo, profundamente significante como é, é somente um aspecto de uma maior nova era espiritual (estes aeons mágicos não coincidem necessariamente com os períodos astrológicos, e, de acordo com Crowley, eles podem ser variáveis). Uma melhor ideia, uma maior perspectiva mágica, pode ser alcançada, se ao invés de considerarmos as eras como épocas meramente astrológicas, nós as olharmos como deuses.
Crowley reconhece nos três principais deuses do Egipto: Isis, Osíris e Hórus, as fórmulas características dos últimos aeons mágicos.
O Aeon atual, o de Hórus, sucedeu o Aeon de Osíris, que por sua vez sucedeu o Aeon de Ísis. Cada aeon está caracterizado pelo nível de entendimento da natureza prevalecente da própria pessoa, isto é, do homem, e dita a variedade da expressão mágica e religiosa que domina esses períodos.


O Aeon de Isis


A fórmula da Grande Deusa: É bastante difícil determinar precisamente quando o aeon da fórmula de Ísis começou, pois suas fundações jazem na nebulosa pré-história. Entretanto, podemos, com bastante relatividade, aventurar-mo-nos localizar o evento como tendo sido aproximadamente 2.400 anos a. c.
Foi a Era da Grande Deusa, e em nenhum lugar ela foi tão venerada do que na cidade Suméria de Uruk, onde o magnífico templo de Innana (Ishtar) dominava a grande primeira cidade da civilização. Focalizar exclusivamente a Suméria, pode ser um erro grave pois, sem dúvida, o culto da Grande Deusa era Universal. Ela era adorada por incontáveis culturas sob vários nomes e formas. Seria também um erro concluir que a fórmula mágica deste período manifestou-se exclusivamente através da adoração de qualquer particular deidade feminina antropomorfisada, pois, como todo o aeon, a fórmula mágica do aeon de Ísis foi fundada sobre a interpretação humana dos “factos percebidos” da natureza, e nossos progenitores da idade Isíaca percebiam a natureza como um contínuo processo de crescimento “espontâneo”.
Nos obscuros primórdios do Aeon, os seres humanos eram ignorantes da lei da causa e efeito do sexo e do nascimento. Isto é, eles não conseguiam ligar uma coisa à outra. A vida lhes parecia surgir somente da mulher. O sangue fluía inexplicavelmente de seu corpo no mesmo ciclo da lua. E quando este ciclo de fluxo sanguíneo era interrompido, seu ventre crescia por nove luas até que a nova vida nascia. Ela então continuava a nutrir esta vida com seu leite, o sangue branco de seus seios, e sem esta nutrição, dada directamente de seu corpo, a nova vida perecia.
Nada podia equiparar-se com o poder da mulher. Dela toda a vida procedia e sem ela nenhuma vida aparecia. Como a lua, ela mesma, a mulher vivia três ciclos: o ciclo da jovem, da mãe, e da velha; fertilidade, sustento e sabedoria. Uma vez a criança desmamada, a própria terra tornava-se a mãe substituta, directamente provento a carne o sangue de animais e plantas para seu sustento. Mãe era a vida. Terra era mãe. DEUS ERA MULHER. A morte era um mistério que não podia ser resolvido, nem compreendido ou suplantado.
Esta fundamental percepção da natureza persistiu mesmo após o mistério da origem dos bebés ter sido resolvido. O matriarcado e o canibalismo dominavam este período, mas mesmo após a ascensão dos deuses guerreiros, a fórmula essencial da Deusa continuou. Mas o aeon de Ísis sobreviveu somente enquanto a humanidade foi dominada pela percepção de que a vida e o necessário nutrimento vinha da Terra e da Mulher. Uma clara percepção do universo evoluiu e conseguiu usurpar a fórmula de Ísis iniciando-se uma nova era cultural e religiosa.
Nesta era o foco foi tirado da Terra para o Sol como fonte de toda Vida, e dos mistérios do nascimento para os mistérios da morte. Nós até agora sabíamos de onde vinham as crianças; agora nós queríamos saber onde íamos ao morrer.

O Aeon de Osiris


A Fórmula do Deus Morto: Pode ser dito que o Aeon de Osíris começou quando o homem e a mulher se tornaram cientes do Sol, e reconheceram que a fertilidade da Terra (e consequentemente suas vidas) dependia directamente do poder vitalizante da luz solar. O segredo da vida era agora percebido como uma associação do Sol e da Lua, e nossos ancestrais viram esta associação reflectidas neles próprios: homem e mulher, phallus e kteis, pai e mãe. Quando se tornou universalmente conhecido que sem o Sol, a Terra parecia e sem o sémen de um homem, uma mulher permanecia infecunda, a consciência e atitude humana mudou radicalmente. A Fórmula de Ísis foi alterada; a mulher dava nascimento a vida, mas a Vida vinha do Sol. Deus agora era Pai.
Esta nova “iluminação” resultou num inédito avanço na civilização. Armado com o conhecimento solar dos ciclos das estações, os agricultores da era "Osirica" começaram o cultivo organizado de grãos. Cidades ergueram-se, e com estas economias e exércitos das grandes nações-estado. O Patriarcado suplantou o Matriarcado, e as deusas de incontáveis culturas tornaram-se “esposas” das novas divindades masculinas.
Mas inerente a esta fórmula estava um terrível mistério, um factor que não era uma Parte da fórmula do inocente Aeon de Ísis; uma escura realidade que se tornaria uma desgastante preocupação (ou como dizem, insana) do Aeon de Osíris: a Morte. Foi percebido como um incontável facto que o Sol, a fonte de toda vida, nascia todo dia no horizonte oriental e viajava através do céu, doando sua luz e vida sobre a Terra. Também foi observado que este grande progenitor “morria” todo dia no ocidente, mergulhando o mundo numa fria escuridão; uma escuridão que evocava introspecção e medo. Para onde ia o Sol? Será que reapareceria no dia seguinte?
Cada noite após a “morte” do Sol, nossos antigos ancestrais osirianos caíam num agitado sono, e dormindo viviam uma outra vida, uma estranha vida, povoada com outros homens e mulheres, e cheias de impossíveis maravilhas e horrores. Animais mortos durante a caça, parentes mortos, inimigos, e camaradas, tudo vivia outra vez neste outro mundo dos sonhos. Seria para este lugar que o Sol ia toda noite? Era esta a Terra dos Mortos?
Claro que a tenebrosa noite não durava para sempre, e um “novo” Sol aparecia com confortável regularidade a cada manhã, para conquistar a escuridão e assegurar a continuidade da vida. Porém, mais tarde, observadores do Sol mais sofisticados experienciariam uma maior insegurança quando observaram que os períodos da luz solar (tal como o verão se move para o inverno) resultavam no decréscimo ou cessação da fecundidade da Terra. Sem luz solar, não havia grãos. E isso era sério. O ciclo solar diário mostrava que o Sol era capaz desaparecer totalmente do céu. Mas, diferente do pequeno período de escuridão do ciclo diário. Era impossível dizer o quanto duraria uma grande noite se o Sol experimentasse uma morte anual. Subitamente toda vida deveria findar na gelada escuridão de uma eterna noite.
Infundados como estes medos eram, estavam baseados solidamente sobre uma realidade percebida, e o trauma tornou-se indelevelmente impresso sobre a psique da raça humana. Esta “realidade” por seu turno, formou a fundação da fórmula mágica do Aeon de Osíris, a Fórmula do Deus Morto.
O Sol, o Pai de toda Vida, atravessava um período triplo de nascimento (vida, morte e ressurreição). A humanidade, vendo-se também mortal, acreditava que seguindo a fórmula mágica ou religiosa do Sol, poderia também ser eleita para a ressurreição.

Que fórmula era esta?
Para toda a parte que nossos ancestrais osirianos olhavam, eles viam o drama do Deus Morto actuando. O fazendeiro observava os efeitos fertilizantes que o sangue e a carne deteriorada tinham sobre o solo; e que as sementes (que vinham de plantas vivas no verão e no outono) morriam, e eram enterradas durante todos os meses de inverno, e então, milagrosamente, ressuscitavam como novas plantas na primavera. Era uma óbvia e inevitável verdade: sem morte não havia vida.
Não morre o Sol cada noite e cada inverno para poder renascer? A semente não se oferece à Terra para poder ressurgir como uma nova planta? Não é verdade que após a ejaculação o pénis sacrifica a sua potência para fertilizar o óvulo e perpetuar a raça?
Vida vinda da morte era um facto, e para assegurar que as bênçãos da vida pudessem vir da morte, os nossos ancestrais osirianos acreditavam que deviam tomar uma parte activa no grande ritual vida/morte. E para este fim iam para os topos das montanhas e lugares altos. Juntavam pedras e construíam altares, e ali ofereciam sacrifícios aos deuses.
Obviamente o grande mito cultural/religioso dos Egípcios era literalmente osiriano em natureza, mas no alvorecer da Era Astrológica de Peixes (aproximadamente 260 a.C.), a fórmula do Deus morto cristalizou-se como o mito central de incontáveis culturas e civilizações. Os deuses dos grandes cultos de mistério(Orpheus, Hércules, Dionísio, Attis, Adonis, mais tarde Cristo), morriam e ressuscitavam. A história de Persephone, a figura central dos Mistérios Eleusianos, que floresceram por dois mil anos, é um exemplo perfeito da evolução da Fórmula da Grande Deusa para aquela do Deus Morto.
Estes cultos eram profundamente populares. Para assegurar a própria ressurreição era necessário ser um iniciado e seguir a fórmula divina da catástrofe , amor, morte e ressurreição.
Parcialmente moldada após estas escolas de mistério, o Cristianismo ortodoxo ergueu-se tonando-se a influência espiritual e política no mundo pelos últimos dois mil anos. A fórmula de sacrifício nasceu da enganosa crença que o Sol “nascia” e “morria” ao entardecer. Uma mais acurada percepção do Universo está agora sendo visitada pela humanidade. Nós sabemos que o Sol não se ergue (“nasce”) e nem decai (“morre”). Ele não “viaja” para o norte no verão e nem dirige-se para extinção, durante o inverno, no sul. (Isto porque o hemisfério norte, para o sul é exactamente contrário). O Sol permanece fulgindo por todo o tempo. A luz é contínua. A morte do Sol é meramente uma ilusão de óptica, um jogo de luz e sombra.
Os mitos do Sol e do Deus Morto foram mitos criados, em parte, para ajudar os nossos ancestrais a vencerem o medo da escuridão e o pavor da morte. A errónea percepção do Universo que iniciou o Aeon de Osíris mudou para sempre. A fórmula foi rectificada. Não há necessidade de temer a escuridão da noite. Não há necessidade de temer a morte.


O Aeon de Hórus


A fórmula da Criança Coroada e Conquistadora: Como a criança é o produto físico e genérico de seus pais, assim também o Aeon de Hórus reconcilia e transcende as fórmulas dos Aeons anteriores. Desde a viragem do século, nós temos visto a queda do colonialismo e a destruição dos últimos vestígios da patente regra dos reis da Europa. O poder temporal do Papa já era, e a ilusão do omnipotente poder espiritual das igrejas se diluiu ante o poder da esperança de reavivamento.
A Fórmula do culto da mãe Terra do Aeon de Ísis (violentamente reprimida durante o Aeon de Osíris) tem sido transformada pela evolução da nossa consciência, ressurgindo como movimento de protecção ao meio ambiente (ecologia). Feminismo e a ressurgência do culto da Deusa ( no caso do cristianismo, a “adoração” a Virgem Maria. Na Umbanda, Yemanjá). Estes movimentos tem sido vistos pelas instituições osirianas estabelecidas como exemplos blasfemos de anarquia espiritual e degeneração da humanidade. E assim, eles cruamente distorcem suas próprias escrituras, para profetizar uma inevitável conflagração purificadora que irá restabelecer uma eterna regra Osiriana.
Enquanto uma certa quantidade de conflito seja inevitável (como acontece no começo de qualquer era), o resultado certamente não será um retorno à fórmula passada. De pé, como nós estamos, ante o limiar do Aeon de Hórus, o que observamos acontecendo no mundo é mais precisamente um estado de preparação. Mas é o natural resultado dos interesses do velho aeon resistindo ao estabelecimento do novo. É muito semelhante aos choques que as famílias experimentam quando uma criança cresce e finalmente torna-se adulto, abandonando a sua casa. Eventualmente os pais aceitam o inevitável e, em muitos casos, formam uma nova e suportável relação com o jovem.
Nós somos os jovens que se tornaram recentemente auto-consciente. Nós ainda amamos as nossas mães e os nossos pais, mas nós sabemos que jamais seremos felizes enquanto formos uma extensão das vidas de nossos pais, ou estivermos presos aos padrões de vida deles. Agora que estamos conscientes da continuidade da existência, agora que nós reconhecemos o indivíduo como a básica unidade da sociedade, nós jamais retornaremos às incompletas percepções do passado.


Para os Gnósticos

Para os gósticos, "EON" é um período de tempo extremamente longo e indefinido; milhões e milhões de anos. Em Geologia um período de tempo maior que uma ERA, como o Eon Fanerozóico, ou um bilião de anos.
Emanações de Ser a partir do desconhecido e último princípio metafísico ou Pleroma. Utiliza-se na Gnose como "categorias e/ou lugares onde os espíritos habitam" ou entidade espiritual maior, criada pelo Sem-Nome e Sem-Pincípio: "o Deus que foi criado deu aos AEONS o poder da vida para que eles dependessem dele e ele os estabeleceu: O primeiro Aeon estabeleceu-se sobre o primeiro: Armedon, Nousanios, Armoze; o segundo estabeleceu-se sobre o segundo Aeon: Phaionios, Ainios, Oroeiael, o terceiro Aeon: Mellephaneus, Loios, Daveithai; o quarto sobre o quarto: Mousanios, Amethes, Eleleth." (extraído do texto Gnóstico "Trimorphic Protennoia" encontrado em Nag Hammadi)


Autor: Não referenciado

Revisão do texto: Mephisto

Referências: A Evolução da Fórmula Mágica, Aleister Crowley

Fonte: Ocultura Org

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