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Lúcifer - O Pai Da Mentira.

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Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por Mephisto em Sab Fev 15, 2014 5:38 pm

Porque é que Lúcifer é considerado o pai da mentira?


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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por lancelot em Sab Fev 15, 2014 5:44 pm

Mephisto escreveu:Porque é que Lúcifer é considerado o pai da mentira?


Saudações.

Talvez do ponto de vista religioso possa ser visto assim.

No meu entender ele é o mais incompreendido dos seres.

E arca com muitas culpas que não lhe pertencem. Twisted Evil 
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por Mephisto em Sab Fev 15, 2014 5:51 pm

Exacto. Parece uma questão simples, efectivamente, mas tem o potencial de nos enredar mentalmente no labirinto de Knossos. Daí ser tão directa.  Wink 

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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por lancelot em Sab Fev 15, 2014 5:58 pm

Acho que pode ser uma questão muito complexa ou talvez não, depende muito das nossas raízes culturais, religiosas, etc. Mas acima de tudo da nossa capacidade de compreensão.

Eu não vou dizer que sou diferente de muitos. Não sou. Fui educado a pensar assim e a condena-lo por tudo o que de mau acontecesse.

Agora o que me fez entende-lo?
Conheci Exú.
Conheci os Guardiões.
Estudei as faixas vibratórias negativas.
E principalmente abri minha mente para muitas coisas que me pareciam improváveis na altura.

Penso que faz todo o sentido neste tema tentar explicar Lucifer, as suas funções e atributos. E qual o seu lugar no nosso plano.


Última edição por lancelot em Sab Fev 15, 2014 7:19 pm, editado 1 vez(es)
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por Mephisto em Sab Fev 15, 2014 6:59 pm

O objectivo é explorar precisamente tudo aquilo que o personagem representa, todos os atributos que lhe conferiram. O que está por detrás dele etc etc. Neste momento, não tenho o meio mais adequado na mão para me expressar. Da mesma forma confesso que este ano de absoluto interregno nas lides da escrita paralisaram o tico e o teco.  Laughing 

Esta questão surgiu-me, por acaso, enquanto lia algumas considerações acerca do Livro da Lei. Foi uma associação espontânea entre uma série de mitos digamos. Adiante. Sim, podes começar por fazer a articulação entre a tua experiência com o sistema magista e a questão. Estou deveras curioso com as opiniões gerais. Preciso de um fiat lux!

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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por anokidas em Sab Fev 15, 2014 7:25 pm

Não considero que Lucifer seja o Pai da mentira,como Lancelot diz e bem a educação que herdámos dos nossos antepassados obrigou-os a pensar assim.
Então,eu tenho esta teoria,se Deus nos tivesse feito perfeitos nunca iríamos ter dualidades.

Nunca iríamos provar o sabor da derrota logo não poderíamos também valorizar o sabor da vitória. Se fossemos perfeitos também nunca iríamos valorizar a importância de Deus e dos sacrifícios que fez por nós.

Então? A culpa da imperfeição teria que ficar para alguém( luciferino) claro está.
Imagino dois caminhos,um do bem e outro do mal,um da ilusão e outro verdade, o da Ilusão é o Deus o da Verdade é de Lúcifer.

Tu escolhes porque não és perfeito porque não sabes tudo e porque precisas de ilusões para viveres em verdade.

Por isso não considero que Lucifer seja o Pai da mentira.É realmente o ser mais incompreendido à face da terra.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por Mephisto em Sab Fev 15, 2014 7:31 pm

Porém, a tua exposição levanta um problema. Lúcifer foi criado perfeito. Outro problema que levantas é o seguinte: Deus, segundo o livro da Génesis, não queria que o homem fosse conhecedor da dualidade. O mito de Adão e Eva, juntamente com a serpente, atestam-no.

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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por anokidas em Sab Fev 15, 2014 7:47 pm

Se Lúcifer foi criado perfeito? não.
Lúcifer era um anjo segundo as escritas bíblicas.

Mas Deus foi criado perfeito só que, segundo o livro da Génesis, a meu entender testou a confiança que homem tinha em si (Deus) e na sua criação.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por lancelot em Sab Fev 15, 2014 7:56 pm

Entendo a vossa forma de visualizar Lucifer e a sustentação que é feita. Eu e a biblia em si, temos uma relação um pouco duvidosa. rsrsrsrsr

Talvez pudesse-mos olhar em outra direcção.

No meu entender Lucifer foi criado perfeito, anjo ou não, mas foi criado para desempenhar uma função especifica. A sustentação dos níveis ou faixas de polaridade negativa.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por anokidas em Sab Fev 15, 2014 8:14 pm

Muito sinceramente eu também tenho a minha cota parte duvidosa acerca da bíblia.

Se formos estar aqui a debater a compreensão daquilo que os homens escreveram não faz sentido,no entanto a pergunta é pertinente e a respondo conforme fui educada, é claro que ao longo da vida vou chegando a outros insights diferentes.

Mas em vez de remetermos para o debate da bíblia poderíamos compreender o sentido literal da mesma.

Para mim,faz mais sentido pensar assim, mas sempre recepetiva a receber outras aprendizagens.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por Mephisto em Sab Fev 15, 2014 8:27 pm

Não Anokidas, Lúcifer foi criado perfeito. Deus é a "substância" primordial de toda a criação. É um erro de semântica a tua afirmação. Tudo provém, nesta contextualização, da vontade de Deus. Ninguém criou Deus. Deus fez-se perfeito. Mas como pode Deus fazer-se perfeito se é único?
Quer queiramos, quer não, temos de avaliar as coisas como elas foram escritas pelo homem, porque não existe prova alguma de que tenha sido Deus a ditá-las. Os únicos resquícios da prova de uma criação além das nossas capacidades intelectuais residem no tamanho do cosmos, que além de infinito, segundo dizem, 96% é totalmente desconhecido

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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por anokidas em Sab Fev 15, 2014 10:01 pm

Mesmo assim, perfeito ou não era um anjo um servo de Deus que foi expulso pela sua suberba,Lúcifer queria ser como Deus.
Mas lá está, para mim não faz sentido uma vez que criou Lúcifer perfeito.
Por isso acho que a bíblia tem tantas contrariedades que prefiro nem contestar.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por Mephisto em Sab Fev 15, 2014 10:47 pm

anokidas escreveu:Mesmo assim, perfeito ou não era um anjo um servo de Deus que foi expulso pela sua soberba, Lúcifer queria ser como Deus.

Será que queria ser como Deus, ou opunha-se verdadeiramente aos desígnios deste? Isto alegoricamente. Vejamos etimologicamente o significado dos três nomes:

"Um dos problemas bíblicos "mais mortais" é o das traduções. Tendo passado por várias traduções até chegar na versão conhecida actualmente, é evidente que muitas modificações tenham acontecido; a maioria delas involuntariamente. Uma delas é a da confusão entre os termos Satanás, Diabo e Lúcifer.
Na íntegra, Satanás é um, Lúcifer é outro. Lúcifer seria o famoso Portador da Luz (do latim Lux fero), Eósforos e Héspero, o planeta Vénus em seus aspectos matutino e vespertino.
Diabo significa "acusador", do grego diabolos, e pode se referir genericamente a qualquer pessoa que acusa e se opõe a outra.
Já Satanás significa "adversário". A Igreja Católica considera Lúcifer como Satanás, que seria um anjo que se rebelou contra Deus e foi expulso do Céu, apesar da Bíblia não ter uma passagem que explicite isso. A passagem usada para justificar a ideia Satanás = Lúcifer é Isaías 14:12 : "Como caíste do céu, ó Lúcifer, tu que ao ponto do dia parecias tão brilhante?". Trata-se de uma passagem controversa, pois os judeus consideram essa a passagem sobre o desaparecimento da estrela Vénus diante da majestosidade do Sol como uma alusão à crença de que o Império Babilónico desapareceria diante do poder do Deus Yahweh, e a maioria dos cristãos considera a passagem como referente à queda física de um anjo, daí denominam Satanás como Lúcifer." in Wikipédia

De que forma encaramos, então, o personagem?

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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por anokidas em Dom Fev 16, 2014 12:46 am

Um opositor de Deus um rebelião por não aceitar as leis de um Deus injusto.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por lancelot em Dom Fev 16, 2014 1:43 am

Pessoalmente, não sou muito adepto da historia da rebelião ou do anjo caído.
Eu olho mais para uma questao de polaridades.
Para mim Deus é as duas polaridades em si mesmo. Só que criou um ser para sustentar a polaridade positiva e outro, neste caso Lucifer, para sustentar a polaridade negativa.
Mas não esqueçamos que polaridades nada tem a ver com bom ou mau.

Anokidas tambem não podemos esquecer que estamos a atravessar um periodo dominado por religiões mentalistas, esse facto tambem levou a essa conclusão.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por anokidas em Dom Fev 16, 2014 2:28 am

lancelot escreveu:Pessoalmente, não sou muito adepto da historia da rebelião ou do anjo caído.
Eu olho mais para uma questao de polaridades.
Para mim Deus é as duas polaridades em si mesmo. Só que criou um ser para sustentar a polaridade positiva e outro, neste caso Lucifer, para sustentar a polaridade negativa.
Mas não esqueçamos que polaridades nada tem a ver com bom ou mau.

Anokidas tambem não podemos esquecer que estamos a atravessar um periodo dominado por religiões mentalistas, esse facto tambem levou a essa conclusão.


Como pode ser Lúcifer a polaridade negativa se ele era representado a estrela da manhã ? Não será uma justificação da Igreja Cristã?
Naquela altura precisavam que os fieis acreditassem em Céu e Inferno e em algo tão poderoso quanto as leis de Deus.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por lancelot em Dom Fev 16, 2014 12:31 pm

Acho que chegaste ao ponto certo Anokidas. Ao ponto em que deixa de fazer sentido.

Partindo agora de uma outra fonte que não a Bíblia.

Nos primórdios, Lucifer ye era o Demiurgo regente do nosso planeta.
Mas com a quebra vibratória da raça humana, Ele desceu a sua vibração de forma a amparar os seres humanos.
Pelo que deixou seu cargo de regente e se assentou na polaridade negativa.

De acordo com esta fonte, a causa da queda do Demiurgo, é o proprio ser humano que se afundou no proprio negativismo.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por Salomé em Seg Fev 17, 2014 11:57 am

O "Livro de Urântia" descreve perfeitamente a rebelião de Lúcifer. Não será fácil resumir, mas estou a fazer o melhor possível, é que será sempre um longo resumo.

Devo já advertir que o Livro de Urântia é sui generis, pois foi pela primeira vez publicado em 1955 pela Fundação Urântia e afirma-se como: Revelando os mistérios de Deus, do Universo, de Jesus e sobre Nós mesmos.

Ora tentemos condensar um pouco O Documento 53 do Livro de Urantia (páginas 601 - 612):
LÚCIFER era um brilhante Filho Lanonandeque primário de Nébadon. Possuía experiência de serviço em muitos sistemas, havia sido um alto conselheiro do seu grupo e distinguira-se pela sabedoria, sagacidade e eficiência. Era o número 37 da sua ordem e, quando indicado pelos Melquisedeques, fora distinguido como uma das cem personalidades mais capazes e brilhantes entre mais de setecentos mil da sua espécie. Vindo de um começo tão magnífico, por meio do mal e do erro, abraçou o pecado, e agora está numerado como um dos três Soberanos de Sistemas em Nébadon que sucumbiram ao impulso do ego e renderam-se aos sofismas de uma liberdade pessoal espúria — a rejeição da lealdade universal, a desconsideração pelas obrigações fraternais e a cegueira para as relações cósmicas.

Como vemos, segundo o LU (Livro de Urântia), não era filho de Deus mas sim um Lanonandeque!!  (quer isto dizer que Lúcifer não era um ser ascendente, mas sim  um Filho criado no universo local)

Segundo o LU, Lúcifer é essencialmente um rebelde: Lúcifer tornou-se cada vez mais crítico de todo o plano de administração do universo; sempre, no entanto, professando lealdade sincera aos Governantes Supremos.

Mas continuemos citando o LU: Muito difícil torna-se apontar uma causa, ou causas exatas que finalmente culminaram na rebelião de Lúcifer.  Toda a sua revolta é condensada num manifesto:
"1. A realidade do Pai Universal: Lúcifer alegou que o Pai Universal não existe realmente, que a gravidade física e a energia do espaço são inerentes ao universo e que o Pai seria um mito, inventado pelos Filhos do Paraíso, no fito de capacitá-los a manter o governo dos universos em nome Dele;
2. O governo universal do Filho Criador — Michael: Lúcifer sustentava que os sistemas locais deveriam ser autónomos;
3. O ataque ao plano universal de aperfeiçoamento dos ascendentes mortais: Advogava que os seres ascendentes deveriam desfrutar da liberdade da autodeterminação individual. E, condenando-o, desafiava todo o plano de ascensão mortal, tal como estava sendo fomentado pelos Filhos de Deus do Paraíso e mantido pelo Espírito Infinito.

E foi com uma Declaração de Liberdade como essa que Lúcifer desencadeou a sua orgia de trevas e de morte.

Sobre este assunto não tenho opinião pessoal, considero que refutá-la é o mesmo que discutir o sexo dos anjos, qualquer teoria de quem foi ou do que fez Lúcifer (seja ela qual for), é e será sempre válida, pois, no meu entender, não passam de ensaios filosófico-teológicos , alguns de grande beleza literária.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por lancelot em Seg Fev 17, 2014 5:32 pm

Salomé compara agora esta versão.....

O Principe das Trevas - Na Obra de Rubens Saraceni
Organizado e Comentado por Alexandre Cumino


Lúcifer, Satã, Satanás, Capeta, Demônio, Belzebu, Tinhoso, Chifrudo, Coisa Ruim, Principe das Trevas etc...

O que seria isto à Luz da Umbanda?

A Umbanda não crê em “demônio”, da forma como foi idealizado no Cristianismo e mais especificamente no Catolicismo ou no Islã, no entanto muitas vezes nos deparamos com “Mistérios Negativos” ou “Mistérios Divinos” assentados em faixas negativas, a que nós chamamos trevas, que outros identificam com a palavra católica ou popular “inferno”, e nos questionamos acerca de nossa ignorância sobre os mesmos. Afinal Inferno não é um estado de espírito, ou região astral criada pelo psiquismo dos que estão mentalmente nesta condição? No entanto me parece que algumas regiões negativas foram criadas antes que ali chegasse o primeiro ser infernal, ou melhor trevoso, bem me desculpe apenas um ser (filho de Deus) negativado. Não é fácil avaliar quem desce as trevas, afinal muito amor deve ter a mãe ou o pai que vai visitar ou resgatar um filho na cadeia, numa zona de meretrício ou numa “cracolândia”. Mas nem sempre esta mãe ou pai, por mais amor que tenha pode ir desprotegida (o) demosntrando sua fragilidade e mesmo porque para entrar em certos lugares não se pode ser frágil.
Lendo a obra psicografada por Rubens Saraceni nos deparamos muitas vezes com mistérios da criação em suas realidades negativas que em outras obras nem de perto nos foram apresentados e muito menos de tal forma.

Em A Evolução dos Espíritos tomamos conhecimento de um Avatar, um Demiurgo, que em uma era desconhecida para nós, Era Cristalina, talvez a mítica Atlântida, que encarnou e chamou a si todos os filhos de Deus negativados para recolherem-se com ele nas faixas negativas do astral.

Esta seria uma forma de entender o mítico Lúcifer-yê, um mistério assentado nas Trevas para recolher os que ficam pelo caminho.

No Cavaleiro da Estrela Guia nos deparamos com “O Próprio Ser Infernal” que invade a “Assembléia Sinistra” com o objetivo específico de levar consigo o Cavaleiro, que mergulha na dor e nas trevas.

Nas palavras do Cavaleiro da Estrela da Guia:

O que me aconteceu? O horror, o pavor, o medo, a angústia, a aflição, o desespero, a loucura, o remorso, a tentação, a luxúria, o desejo, e muitos outros mistérios das trevas da ignorância se fizeram vivos no meu mental: tanto superior quanto inferior. Todo o meu ser imortal foi violado e violentado. O horror de me ver sendo levado pelo próprio senhor dos horrores. O medo do que me aconteceria. A angustia por não saber se voltaria à Luz. A aflição por meu estado enérgico que se enfraquecia a cada instante. O desespero pelas dores horríveis que sentia ao ser torturado cruelmente. A loucura pelas visões horrendas que tive. O remorso ao ter, diante de meus olhos, todos os meus fracassos diante da lei na execução de determinadas tarefas. A tentação, ao ter meu mental inferior ativado ao máximo por aquele que tem a chave de acesso a ele. A luxúria ao dar vazão a tentação, ampliada em muito na sua intensidade. O desejo ao ver, ainda que ilusório, o ser dos meus encantos e desejos.
A tudo eu ouvia, via ou reagia com uma observação apenas: eu sou você e você é parte de mim...
[...] Então, em um último esforço, criei em meu mental o vazio absoluto...
A voz do silêncio... eu tornei a ouvi-la, no meu vazio absoluto, dizendo: “Se você morrer por mim, eu, o seu Criador, irei revivê-lo em mim, pois só eu sou a Vida, o resto é apenas um meio de vida da Vida. Eu sou a Vida, e quem vive em mim, por mim e para mim, jamais morrerá...
[...] Minha prova havia terminado. Um dia meu ancestral místico me havia dito: “Um dia eu testarei seu amor por mim”. Este havia sido o dia... E foi este amor que me resgatou da queda nas trevas do mental inferior...

No Guardião da Meia Noite a mesma história se passa por outro prisma, no qual é ressaltado o compromisso que todos os guardiões assumem, após a queda do Cavaleiro e sua posterior reencarnação.

No título Guardiões dos Sete Portais, Lúcifer-yê aparece muitas vezes como o mistério da ilusão, aquele que abençoa amaldiçoando e que amaldiçoa abençoando, pois se apresenta invertido na criação. Acompanhamos uma luta milenar travada entre o Cavaleiro da Estrela da Guia junto aos Guardiões, contra Lúcifer-yê e os caídos nas trevas humanas. Fica claro, no entanto, que tem uma importância maior a presença de Lúcifer-yê e seu mistério nas faixas negativas.

No Guardião das Sete Encruzilhadas podemos ler as palavras de Lúcifer-yê, em desabafo dirigido ao Criador, a quem ele diz amar, adorar e venerar. Abaixo coloco apenas uma parte de seu “desabafo” de forma editada:

-Por que, meu Senhor? Por que tinhas de me enviar até este abismo da perdição humana?
Por que logo eu, que tanto vos amo, adoro e venero, tinha de ser o escolhido para ser o catalizador, absorvedor e acumulador das energias geradas por todos os espíritos humanos viciados? Por que, meu Senhor? Não vedes que eles, os humanos nunca vão aprender...
[...] Senhor meu, eu vos amo, respeito, adoro e venero, e, no entanto sou tão incompreendido pelos servos do meu irmão do alto! Eles não entendem que se sou como sou é porque assim são os semelhantes deles que não vos amam, veneram, adoram e respeitam, e que por vós são enviados ao meu reino sem luz com todos os vícios humanos, os quais tornam meus domínios depósitos da escória humana. Eles não sabem que só odeio quem vos despreza; só persigo quem se afasta de voz...
[...] Por que vosso servo do alto não diz a eles como realmente sou, quem eu sou e por que sou como sou?

Logo esta representação de Lucifer-yê está distante da tradicional representação católica de “Lucifer” (“O Anjo Caido”, aquele que desafiou Deus, por vaidade, ego e eorgulho).

E agora, quase dez anos depois, com a publicação do recém lançado Cavaleiro do Arco Íris, temos uma conclusão com relação a este mistério na criação, que se revela num diálogo travado entre o Cavaleiro e o “Príncipe das Trevas”, como vemos abaixo:

- Descobriu quem sou eu, Mago da Vida?
- Se não estou enganado, é aquele que chamo de Príncipe das Trevas. Estou certo?
- É assim que me concebe, mago da Vida?
- É assim que o idealizo e concebo, já que reina absoluto nos domínios sóbrios da face escura do Senhor das Trevas.
- Não acha melhor uma concepção menos humana, Mago da Vida?
- Nem pense nisso, Príncipe das Trevas.
- Por que não? Uns me concebem e idealizam como um cão infernal, outros me imaginam como uma hidra ou um dragão, ambos assustadores. Já me idealizaram e conceberam de tantas formas que só a criativa imaginação humana é capaz de tanto, sabe?
- Sei, sim. Por isso o idealizo e o concebo como príncipe, Príncipe das Trevas!
- Tem certeza de que não me prefere como a tenebrosa, assustadora e maldita serpente das trevas , à qual você vinha combatendo desde que se humanizou e idealizou-me e concebeu-me como a traiçoeira e peçonhenta serpente das trevas?
- Nem pense nisso, príncipe! Já chega de combater serpentes.
- Mas foi você mesmo que semeou essa minha concepção no meio humano, Mago da Vida!
- Eu fiz isso?
- Fez, sim.
- Essa não! Deve ter sido por causa dos meus ancestrais irmãos venenosos e traiçoeiros, sabe?
- Eu sei?
- Não sabe?
- Eu deveria saber, Mago da Vida? Afinal, venenosos e traiçoeiros são seus asquerosos irmãos ancestrais, não eu, que só tenho recolhido-os em meus domínios e contido suas iras e fúrias com os tormentos que eles criaram para si mesmos.
- Essa não! Só agora você me revela isso, irmão Príncipe das Trevas?
- O que foi que eu revelei, irmão Mago da Vida?
- Que você assume a condição com a qual o distinguimos em nossa imaginação, e depois plasma o tormento que é em si mesmo, já segundo nossa concepção e idealização. E daí em diante se nos mostra tão tormentoso e assustador como imaginamos que deva ser, oras!
- Você não sabia que eu era, e sou assim?
- Agora sei, irmão Príncipe das Trevas.
- Que Mago da Vida estúpido que você era, não?
- Sem ofensas, príncipe. Não vamos baixar o nível de nossa conversa, certo?
- Tudo bem, Mago. Mas que você foi um estúpido em comparar-me aos seus venenosos e traiçoeiros irmãos ancestrais, isso foi, certo?
- Ponto para você, príncipe. Eu real-mente fui um estúpido quando acreditei que aqueles safados eram você. Mas ago-ra não me enganarão mais, sabe?
- Porque acha que eles não o enganarão, se são uns enganados enganadores?
- Bom, eu já o idealizei e concebi como o Príncipe das Trevas, que aos meus olhos só se mostrará como escuridão, nunca como uma aparência desumana. Portanto se alguma sombra mover-se no meio da escuridão, com certeza não será você porque é ela em si mesmo, e não o que se move dentro dela.
- Que sábia descoberta, Mago da Vida. Já estou deixando de vê-lo como um estúpido e achando-o um sábio.
- Eu, um sábio? Nem pense isso, príncipe. Sou só um modesto aprendiz dos vastos mistérios da Criação. Agora, você sim, é um sábio que tem muito o que me ensinar sobre seus domínios ocultos pela escuridão do seu mistério, que é você em si mesmo.
- Você está me idealizando como um sábio, Mago da Vida?
- Já o idealizei como sapientíssimo Príncipe das Trevas, que certamente me instruirá em como devo proceder com meus astutos, traiçoeiros e venenosos ir-mãos ancestrais que se ocultaram na sua escuridão. Com certeza de agora em diante eles não ficarão invisíveis aos meus olhos porque os diferenciarei de você mesmo, já que você é a escuridão e eles são as sombras ou as formas desumanas que vivem, habitam e se movem em seus domínios. Com certeza caso eu venha a ser confundido por eles, você imediata-mente me alertará e instruirá sobre como proceder em seus domínios e como anular as ações intentadas por eles.
- Essa não, Mago da Vida!!!
- Esse sim, Príncipe das Trevas...
[...] Você disse que me ama e estima, respeita e confia e até me tem na conta de um nobre príncipe!
- É isso mesmo. Eu descobri sua razão de existir como parte do todo e encontro nobreza no seu modo de atuar, pois não atua de outro modo e forma que não a desejada por quem o idealiza, concebe e concretiza. Só um nobre é tão generoso, e só um concede o que dele desejam, ou estão aptos adquirirem, assumirem e sustentarem. Um nobre não nega algo se o que lhe foi pedido é justo, e não impõe nada a ninguém se for violentar sua natureza ou contraria seus desejos mais íntimos, sabe?
- Agora sei, Mago da Vida. Já estou me sentindo um nobre príncipe regente dos vastos domínios escuros do Senhor da Trevas. E, para ser sincero, até estou me sentindo melhor nessa sua nova idealização e concepção humana do que eu me senti na concepção anterior, quando você me idealizou como uma asquerosa e traiçoeira, venenosa e ardilosa serpente, sabe?
- Agora sei, Príncipe das Trevas!...
[...] - É isso, Mago esclarecido. Eu não tenho a iniciativa em nenhum campo. A mim compete unicamente a reação a todas as iniciativas incorretas. Se uma religião disser que um determinado procedimento é um pecado, quem proceder segundo ela indicou estará pecando e provocará uma reação de minha parte. E se a reação é ir para o purgatório, o pecador irá para o purgatório. Se indicar que deve ir para o inferno, então irá para o inferno. E assim por diante.
Eu sou um mistério que só adquiro existência a partir das ações contrárias à vida. Mas, quando cessam as ações e as causas delas, cessa minha atuação na vida de quem me ativou em sua existência.
- Acho isso tudo de uma lógica e grandeza única, nobre e esclarecedor Príncipe das Trevas.

Este desfecho para as aparições do “Príncipe das Trevas” na obra de Rubens Saraceni, revela algo muito especial no que diz respeito à compreensão dos mistérios, no caso deste em específico e de outros que seguem o mesmo modelo. Creio que algo semelhante se dá com o Mistério Exu, por exemplo, pois quando se concebe Exu como algo positivo ele se mostra de forma positiva, ao concebê-lo de forma negativa ele se mostra de forma negativa. Muitos crêem que Exu deve ser agressivo, falar impropérios e expor as pessoas ao ridículo, o resultado é que muitas entidades assumem esta carapaça para se enquadrar na expectativa de quem o evoca. É claro que nem sempre quem responde a este chamado são as entidades de Lei.
Pelo que entendemos aqui o “Príncipe das Trevas” está muito longe da concepção e idealização do “demônio” católico ou evangélico, portanto que cada um fique com os “demônios” que criaram para si e para suas religiões. Pois o único e verdadeiro demônio em nossas vidas somos nós mesmos quando caminhamos movidos pelo Ego.

No Catolicismo “Lucifer” é o Anjo Caído porque quis ser como Deus, No judaísmo não há um anjo com o nome “Lucifer”, que é latino, uma tradução do romano “Phósforos”, uma divindade, “O Portador da Luz”. No judaísmo Anjo não tem livre arbítrio ele cumpre a vontade de Deus, logo é inconcebível o mesmo se “revoltar”. No Velho Testamento vemos “O Opositor” (Satanás) dialogando com Deus, como velhos amigos a cerca de Jó e o “tentador” cria situações para desviar Jó, tão querido a Deus. Esta é uma das poucas passagens do Antigo Testamento em que aparece “o opositor”, pois nesta realidade pré-cristã Deus faz o bem e faz o mau, se é para matar os Egípcios Ele mesmo mata... mas por meio do “Anjo da Morte” é claro, que não é nenhum demônio apenas está a serviço de Deus.

E voltando ao Anjo Caido, enquanto umbandista me parece uma história bem mal contada, um Anjo, o mais belo, ter sua queda por vaidade? Difícil de crer, mais fácil entender que é mais um mito e tabu católico para evitar de explicar um mistério teológico. No islã “Shaitan”, segundo o Corão teve sua queda por se recusar a abaixar a cabeça para o homem feito de barro, já que ele era um anjo feito do fogo. No mesmo Islã há também os Gênios (djin) que podem ser bons, maus e neutros.

Afinal quem é o demônio em nossas vidas que não nossas vontades e vícios?
Quanto a espíritos obsessores, são o que são, apenas espíritos.

Já “Tronos Opostos” são outro mistério do Criador, não confundir com Orixás Cósmicos, os quais de asentam no embaixo exatamente nos pólos opostos aos 14 Orixás exatamente para absorver nossos vícios nos sete sentidos da vida:

Fanatismo e Ilusão, Ciúmes e Ódio, Soberba e Ignorância, Preconceituosidade (Mediocridade) e Injustiça, Arrogância e Desordem, Imobilidade (acomodação) e Involução, Apatia e Morte.

Somos nós que geramos o vicio e o oposto das virtudes (Fé, Amor, Conhecimento, Justiça, Lei, Evolução e Geração) e a função dos Tronos Opostos é atrair os seres “pesados” que carregam seus vícios e absorver os mesmos. São eles O Trono Oposto da Fé, do Amor... e claro Masculino e Feminino. No Livro Orixás Ancestrais considera Lucifer e Lilith como os Tronos Opostos à Oxalá e Logunan (Oyá-Tempo), o que deve ser interpretado também e não levado ao pé da letra, são opostos mas não deixam de ser “Mistérios do Criador”.

Sei que não é fácil entender alguns conceitos, mas temos a eternidade para compreendê-los não é?
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por anokidas em Seg Fev 17, 2014 5:36 pm

Obrigado Salomé  Very Happy 
Apesar disso és sempre aquela ajuda preciosa para o nosso fórum tal como os restantes.

1. A realidade do Pai Universal:
Lúcifer alegou que o Pai Universal não existe realmente, que a gravidade física e a energia do espaço são inerentes ao universo e que o Pai seria um mito, inventado pelos Filhos do Paraíso, no fito de capacitá-los a manter o governo dos universos em nome Dele.

E não estaria Lucifer certo?
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por lancelot em Seg Fev 17, 2014 5:58 pm

Penso que toda a fonte tem sua quota parte de verdade. Talvez se as juntar-mos todas conseguiremos chegar bem perto da verdadeira verdade.
Mas ao certo, ao certo, talvez nunca saberemos a verdadeira verdade.
Só podemos comentar sobre ela.
Quer seja pelo facto de nossa visão humana ser limitada, quer seja pelo facto de ser um mistério em si.


Penso que este texto que postei [Você precisa estar registrado e conectado para ver este link.]

possa mostrar como por vezes as opiniões são moldadas.
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por Salomé em Seg Fev 17, 2014 6:24 pm

Penso (deuses, quem sou eu para pensar) que a verdade é revelada um pouco em cada obra: um cadinho aqui, uma revelação mais ou menos oculta ali, acolá mais um pouco....
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

Mensagem por J13K$#N em Dom Jul 27, 2014 2:01 am

Lúcifer!

O mal esta feito, o erro divulgado. "É o falso Lúcifer da legenda heterodoxa; é este anjo altivo para julgar-se Deus, bastante corajoso para comprar a independência a custo de uma eternidade de suplícios, bastante belo para ter podido adornar-se em plena luz divina; bastante forte para reinar ainda nas trevas e na dor e para construir um trono com sua inextinguível fogueira."
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Re: Lúcifer - O Pai Da Mentira.

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