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A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

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A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Sex Mar 01, 2013 2:04 pm

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Critica: "O livro “A Loucura da Normalidade” editado entre nós pela Assírio e Alvim, é uma obra da autoria do psicanalista helvético-alemão Arno Gruen.
Segundo as palavras do próprio autor na introdução à referida obra: “Escrevi este livro na esperança de que as minhas vivências o observações possam ajudar outras pessoas a defender-se melhor com as suas próprias verdades. Este trabalho é a resposta à minha experiência pessoal e profissional com a loucura da realidade que, em nome do amor, produz morte e destruição”.

Segundo o autor, quando uma criança começa a perder a consciência do seu Eu próprio, ocorre um acto de autotraição. O processo começa por a criança deixar de aperceber-se dos sentimentos do pai e da mãe de uma forma instintiva, passando a reger-se pela maneira deles se verem a si próprios. Este tipo de “adaptação” às necessidades de poder dos pais leva a uma cisão da estrutura psicológica da criança, a qual desliga o seu mundo interior das suas interacções com o exterior. Assim se perdem o nexo e os efeitos recíprocos entre os actos e as motivações. Para alcançar uma quota-parte do poder que subjuga a criança, obediência e adaptação substituem-se às responsabilidades pelos próprios actos. Quando uma pessoa perde o contacto com o seu interior, só pode recorrer a um Eu falsificado: a imagem que se pauta por determinado comportamento e por atitudes que agradam aos outros. A necessidade – e talvez mesmo obsessão – de preservar tal imagem, sobrepõe-se a tudo o que poderiam ter sido percepções, sentimentos e vivências empáticas genuínas. A incapacidade de estar enraizado em si próprio provoca um comportamento destrutivo e maldoso.
Arno Gruen afirma não ser o primeiro a interessar-se pela destrutividade humana. Afirma ainda que entre todos os seres vivos, o Homem é o único que ser que destrói por destruir – como fim em si, citando as palavras do psicanalista finlandês Martii Siirala. Enquanto Freud ou Fromm, atribuem a destrutividade humana a uma pulsão de morte inata ou tendências necrófilas decorrentes de fixações anais e edipianas, Gruen pensa ter encontrado muitos indícios de que os actos destrutivos e mortais do Homem têm origem na traição que cometeu contra si próprio como forma de sentir uma sensação de poder que não passará de uma ilusão. O resultado final segundo o psicanalista será o desenvolvimento de um ódio vitalício que uma pessoa desenvolve contar si própria, sendo que só a sensação de destruição fará com que um individuo de sinta realmente vivo.

Para comprovar as suas teorias Gruen escreveu oito capítulos em que percorre a noção de destrutividade Humana, desde o Nacional- Socialismo, até à análise de uma figura principal da literatura universal, Peer Gynt de Ibsen.
A revolta de Attica ocorrida em 1971 é relatada no quarto Capítulo “ Sentimentos Postiços”, em que Arno Gruen, afirma pretender colocar em destaque sentimentos que, na realidade, não o são, introduzindo a problemática da identificação que, mais frequentemente do que nos apercebemos, não conduz a uma identidade própria mas, sim, a que a mesma seja evitada.

Attica, 09 de Setembro de 1971, Gruen afirma que este é um dos melhores exemplos de estarmos nas mãos do Mal. Nesse dia mil e trezentos de detidos desarmaram cerca de três dúzias de guardas e funcionários prisionais, mantendo-os como reféns. No dia 13 por ordem de Nelson A. Rockfeller, a polícia de estado tomou a prisão de assalto. A prisão estava superlotada. Os presos eram na sua maioria portoriquenhos e negros que estavam cada vez mais decididos a lutar pelos seus direitos. O governador terá ordenado ao assalto à prisão recusando a sua participação em negociações com vista a um acordo pacífico. Logo após o esmagamento da revolta, o governador declarou publicamente que a polícia fez um “excelente trabalho”. Como resultado morreram vinte e nove presos e dez reféns, tendo oitenta e oito pessoas ficado feridas. Um inquérito oficial imputou esse banho de sangue ao tiroteio indiscriminado e irresponsável dentro da prisão.

Os acontecimentos de Attica demonstram as consequências da ausência de autonomia: raiva e destruição em tal medida que os actos deixaram de possuir qualquer relação com quem os provocou, ou com o que pretendiam. A dependência criada pela obediência vinga-se nas vestes do comportamento social adequado. Quando mataram os presos, considerados sub-humanos, os assassinos terão sentido a razão do seu lado. Correspondentemente, esperaram elogios, os quais, não foram poupados pelo Governador. Assim esse tipo de políticos, terá, segundo Gruen, legitimado o assassinato puro e simples."

Fonte: dieelektrischenvorspiele.wordpress


Reflexões e dissertações sobre "A loucura da normalidade" de Arno Gruen. (ou auto-análise destruidora da teoria que não encaixa numa noite de copos)

Esta obra complexa, certamente necessária, remete-nos para a sempre existente necessidade que as disciplinas ligadas ao estudo do ser tais como, a filosofia e religião -contemporaneamente psicologia e psiquiatria de procurar separar e identificar as várias entidades que existem num único corpo, cada qual dissertando segundo as suas linhas de orientação.

Arno Gruen, nascido em Berlim no ano de 1923, oferece-nos um vasto leque de ilações, resultantes de um aturado e intenso estudo nas áreas da psicologia e psiquiatria, aplicando através deste padrões de desenvolvimento/ comportamento em personalidades contemporâneas para sustentar a forma como estas se desenvolveram, integraram, convenceram e justificaram, a aplicação do seu poder no decorrer da sua vida e no exercício das suas funções, afectando a vida de milhões de pessoas, passando por indivíduos que em nada afectaram o decurso da História, mas dão boa base de estudo e apoio para o tema aqui retratado.

A realidade como doença é exactamente uma teoria, que como todas as teorias vão de encontro a um determinado fim que se perde nos meandros da suposição, embora neste caso se consiga uma linha de objectividade coerente dando mote à sustentação de uma tese que compara a realidade dita normal, a uma loucura paralela com os doentes esquizofrénico, embora a sua expressão se traduza em motivações, convicções, percepções e adopção de posturas bastante distintas.

Quando acima referi a data e local de nascimento do autor, não foi por mero acaso da curiosidade, mas sim para que sirva de orientação espaço/tempo ao nascimento e desenvolvimento de uma teoria embrionária nas suas potencialidades de percepção e assimilação empírica. É importante salientar que o autor nasceu muito perto do pós Primeira Guerra Mundial, emigrando para os Estados Unidos da América em 1936, três anos antes da Segunda Grande Guerra, o que influência naturalmente, a tendência do autor para a imersão no potencial destruidor do homem enquanto Ser, uma vez que a Europa estava devastada económica e socialmente. Humanamente a história fala por si! Somos todos produtos do meio em que crescemos e por muita independência de espírito que se tenha para dar azo a reflexões que passam a estudos e possíveis descobertas inovadoras, nos respectivos campos que nos debruçamos, é importante ter sempre isto em mente para que se possa ter um sentido critico apurado.

O parágrafo acima, admito que pareça uma vez mais a ironia da minha expressão, conquanto, sendo este trabalho uma reflexão, não pode deixar de ter estes pontos de apoio como cunho pessoal para fundamentação da individualidade da opinião expressa.

A obra no seu todo, para os menos informados, impressiona, uma vez mais saliento, pelo facto de ser inovadora no campo do conhecimento da pessoa contudo, a retórica, se bem informados não passa da compilação de conhecimentos adquiridos ao longo dos séculos pela filosofia que posteriormente metamorfosearam-se com a disciplina da psicologia que foi uma adaptação destes ensaios aos tempos modernos objectivando o objecto no concreto, alienando-se do todo que contemplava a filosofia. Como em tudo, a interacção de montanhas de informação no sentido de a compilar num propósito, deixa sempre lacunas em pontos essenciais à compreensão do âmago da questão. Esta vítima (autor) de Freud não se conseguindo dissociar deste para fundamentar a sua tese, abre caminho a um velhinho G.W.F. Hegel com a sua dissertação acerca do espírito subjectivo e espírito objectivo em “Conceito na Ciência da Lógica”, perdendo para o inflexível Kant na sua defesa pela necessidade de uma ordem e Estado. Se Hitler, Ronald Reagan, Nixon, entre outros bárbaros da nossa história, à sombra de um poder soberano (povo) fizeram tudo quanto lhes deu na real gana massacrando milhares de pessoas, a pergunta que “eu” interponho é: quantos mais hitler´s, reagans, nixons e companhia haverá, espalhados pelo mundo, esperando que o poder se distraia para lhe dilacerar o coração na primeira oportunidade, e assumir as rédeas desse poder que nos oprime?

A complexidade e extensão do estudo apresentado pelo autor, obriga-me simpaticamente a conduzir a reflexão separadamente, através dos capítulos que o próprio deliberou, embora todos tenham uma íntima e repetida ligação -à excepção de Sentimentos Postiços-, a compilação destes daria azo a incongruências, tantas quantas se podem encontrar no livro, conquanto não sejam muito relevantes ao objectivo da obra.

Cap. 1- A negação da realidade.

Este capítulo absorve a mais antiga procura do homem dentro de si próprio -o seu Eu. Da mais pura filosofia, separamos a espiritualidade da questão e colocamos um Eu em processo de construção, à luz da actualidade, à sombra de todos os mecanismos de construção e interpretação da personalidade que o nosso meio promove e nos oferece.
O autor convida-nos talvez por culpa da imaturidade da disciplina, a abstrair-nos de toda a realidade que nos rodeia por uns momentos; negar que a nossa realidade é a normalidade introduzindo uma nova abordagem à esquizofrenia como ponto de comparação entre dois mundos paralelos dando um papel preponderante de culpa à mãe pelo desenvolvimento deturpado do seu filho. Aliás, todo o livro roda em volta do Eu para com o mundo, a culpa da mãe para com o Eu que se projecta.

Citação de Freud: “ (…) as pulsões hostis para com os pais (desejo da sua morte) constituem igualmente parte integrante das neuroses. Na paranóia, os mais graves delírios de perseguição (desconfiança patológica em relação aos chefes, aos soberanos) emanam destas pulsões. Estas encontram-se recalcadas nos períodos em que os sentimentos de piedade para com os pais as dominam – durante as suas doenças na morte. No luto os sentimentos de remorso manifestam-se; nessa altura, censuramo-nos pela sua morte (é o que se descreve sob o nome de “Melancolia”), ou então punimo-nos de modo histérico, ficando doentes como eles. (…) Segundo parece, nos filhos, os desejos de morte são dirigidos para o pai, e, nas filhas contra a mãe.”;” (…) está o sacrifício, consentido pelos humanos no interesse de uma mais larga comunidade (…).

Este excerto demonstra claramente à luz de que reflexões o autor retrata a relação de Adolf Hitler com a sua mãe, encontrando aqui também a base para todas as suas argumentações quando destaca o papel proeminente dos pais na estrutura da personalidade dos filhos ao longo dos capítulos, e do qual me vou afastar agora, em prol do capítulo em causa.

Negar a realidade em que vivemos, submergindo-nos ao interior do nosso subconsciente e consciente, algo que o Budismo na sua assumpção filosófica faz desde os seus primórdios, pressupõe uma alienação total e incondicional do exterior e dos factores externos que nos fazem reagir aos estímulos, na tentativa de encontrar a essência do próprio Eu, e transportá-lo para o exterior. A posteriori, vivendo e agindo de acordo com a natureza desse Eu, desenvolvemos o intelecto do vazio, uma vez que ao abstrairmo-nos da nossa realidade obrigamo-nos a demolir toda a estrutura desse intelecto, aquilo que nos foi transmitido, ensinado, logo, tudo o que advém dessa base desmorona, voltando aos princípios básicos da sobrevivência, as motivações inatas. É curioso que o homem de forma irónica cria tudo um pouco à sua imagem, e encontramos um exemplo flagrante que apoia este ponto de vista num computador.
Um computador é capaz de produzir uma infinidade de cálculos por milésimo de segundo e transmiti-los em imagens maravilhosas entre uma infinidade de funções que é capaz de processar, e sublinho porque este processa, não pensa! A ironia reside no facto de todos nós podermos mexer-lhe, adaptá-lo às nossas necessidades, melhorá-lo, configurá-lo. É do senso comum que um computador é bem mais rápido que nós a processar cálculos. Agora convido-o a apagar e instalar programas, maravilhar-se com a sua capacidade de adaptação às novas necessidades. Pois é! Agora apague-lhe uma linha de comando da raiz do sistema e veja o caos que se instala. É isso! Deixa de haver sistema.

A pessoa tal qual o computador, tem todas essas faculdades até porque fomos nós que o criámos. A diferença reside num ponto: a nossa capacidade de adaptação é inquestionável mas tal como este, um ficheiro da raiz apagado ou corrompido, faz com que toda a raiz do sistema se desmorone. Parece um paradoxo mas, todo o paradoxo tem o seu propósito e razão de existir.
No computador, a linha de comando corrompida pode ser reprogramada ou aperfeiçoada por terceiros claro -dado que este não tem autonomia intrínseca- e todo o sistema volta a brilhar. No homem o processo é terrivelmente mais complexo porque intrínsecos são os sentimentos que o movem -a sua natureza- e a dualidade exortada pela entidade do Eu face ao sistema interior, e o Eu, perante o sistema exterior (espírito subjectivo e espírito objectivo de Hegel). Negar a realidade é corromper todo o sistema que nos liga à vida e nos transporta ao Capitulo 3 (O culto da morte dissimulado…). Porém, pode haver uma adaptabilidade dotada de autonomia, revertendo o processo que originou o erro por parte do Homem mas que requer uma estrutura sustentada através da vivência/experiência que não permite a desconexão com a sua realidade, assim como o computador não permite a desconexão com a corrente eléctrica durante o processo de reprogramação.

Existe um filme bastante conhecido pelos seus soberbos efeitos especiais que contém esta mensagem dissimulada na sua linguagem informática, representando toda a essência da mensagem que o autor nos pretende transmitir neste capítulo. É possível o homem encontrar a sua realidade dentro da realidade paralela em que se insere, o seu Eu dentro do sistema que o oprime, mas estará disposto a sofrer as consequências dessa escolha? As dores que dai podem advir tal qual o autor considera?
Comprimido azul ou vermelho? O filme é o Matrix. Para quem nunca se apercebeu da sua verdadeira mensagem, aconselho vivamente a revê-lo porque toda a abrangência da temática deste livro, encontra-se naquele argumento extremamente inteligente com a benesse de não cansar tanto a vista.

Com isto concluo que todas as pessoas tem a capacidade de reverter qualquer processo que prejudique a harmonia do seu Eu com a realidade, desde que tenham as bases para o fazer e isso parte em larga escala da vontade própria. Creio que sentimentos recalcados e más mães Freudianas em nada afectam a estruturação da personalidade a partir do ponto de maturação do indivíduo, quando este começa a questionar os porquês tendo pontos de referência comparativos com o meio em que se insere. Agora pode haver boa ou má fé na interpretação individual. A forma como o indivíduo canaliza os seus sentimentos e sofrimentos parte de processos invisíveis que estou em crer, ser apenas possível aflorar por parte da psicologia e neurologia, conjuntamente, mas nunca a sua dimensão e natureza ser devidamente percepcionada. A negação da realidade passa então a utopia, uma vez que creio estarmos certos de ser humanos e não máquinas.

A procura de um Eu autónomo e soberano, é algo que está extremamente bem exemplificado, estruturado, e fundamentado, na filosofia moderna do satanismo que segue a linha de pensamento criada por Anthony LeVey na sua obra «A Bíblia Satânica». O Eu como única entidade aceite, como “único Deus” -passe a expressão até porque o satanismo moderno em nada se afecta a dogmas, deuses, rituais de adoração ao diabo. Aqui encontramos o puritanismo maquiavélico do Eu acima de tudo, sem no entanto “procurar prejudicar ninguém que não me prejudique a mim”. É aqui que entra o espírito de Maquiavel! Não deixa de ser interessante, um pouco arrogante talvez, para os mais sensíveis, contudo, encontramos através desta filosofia o porquê de um Eu inteiramente livre não ser muito saudável à comunidade, ao contrário do que o autor defende por vezes.

A entrega do Eu à submissão materna/ paterna e posteriormente ao alheio das relações que se estabelecem ao longo da vida, para se proteger do sofrimento, é um ponto de relevo neste capitulo.
É do conhecimento geral que a falta de um sentimento de segurança revela-se num carácter inseguro do indivíduo para com o meio, talvez não tanto do foro patológico, como o autor sugere através do recalcamento freudiano, mas por uma necessidade intrínseca da natureza do indivíduo, deixando-nos numa encruzilhada onde a lógica da construtividade das relações e interacção do Eu para com o exterior, chama a si alguma da razão que a subjectividade da questão reclama.

A entrega do Eu à submissão como um meio de fugir à dor de encarar o seu interior, remete-nos ao Cap.4 -Sentimentos Postiços-, e abre uma perigosa conjectura acerca da individualidade da pessoa que se adapta ao meio como método de sobrevivência (embora os casos que o autor nos apresenta sejam de relevo e comprovados), não se pode generalizar como uma verdade absoluta a retórica do relato. O que pretendo aqui, é encontrar uma solução para o teorema que na qualidade de seres humanos nos obriga a avaliar à luz da nossa liberdade de consciência, se o facto de nos entregarmos a essa submissão é por medo à dor se por medo do nosso Eu. Aqui podemos encarar o medo do Eu pelo próprio individuo a que este se afecta, como mecanismo de auto-protecção face à consciência do seu potencial destruidor, aquando a sua génese se encontra num estado de liberdade absoluta sujeita às imprecações da libertinagem.
Creio que no fundo todos temos um problema com a autoridade, acima de tudo com o autoritarismo, sendo que o problema que surge,não é o receio de confrontá-lo directamente mas, talvez a desnecessidade de sermos recriminados pelas pessoas quando a tomada de posição que assumimos, é um acto irreflectido ou puro proveniente da sagacidade que esse Eu expressa nas palavras e nos actos, do indivíduo condicionado ao seu meio, votando-o a uma posição nada confortante.

Resta neste capítulo abordar o esquizofrénico. A esquizofrenia é algo que se subtrai ao meu campo de entendimento. É claro que uma pesquisa aprofundada poder-me-ia dar as bases suficientes para enquadrar o contexto fornecido pelo autor. Contudo, este foi bastante elucidativo nos seus preâmbulos acerca da doença (psiquiatra). É interessante porque penso acabar este trabalho com um texto que escrevi há uns meses e que vai de encontro a toda a linha de debate aqui exposta, abordando por mera coincidência -ou não- o tema. (Este «ou não» é um retracto da percepção mais ou menos desenvolvida que todos temos acerca do assunto. Nesse texto digo: loucos são aqueles que delineiam patamares de consciência e percepção.

O comportamento do esquizofrénico como método de escape à hipocrisia do mundo, atesta claramente tudo quanto atrás foi exposto na semântica do Eu. Nesta deixa abrimos portas a Kant com a sua tese que fundamenta a necessidade de uma ordem e de um governo, e passamos ao segundo capitulo não sem antes deixar uma ponte entre este e o terceiro capítulo com um excerto de uma obra de Donatien Alphonse François de Sade (1740-1814), vulgo (Marquês de Sade) do qual advém o termo (sadismo). Homem este que mesmo encarcerado quase 30 anos num hospício nos deixou um vasto legado das consequências nefastas de um Eu libertino e perverso no seio da nata aristocrática parisiense, desconectado com a realidade em que viveu. Apesar de tudo, este legado permitiu iniciar a base de “Psychopathia Sexualis” de Kraft Ebing, que posteriormente serviu a Freud e dai aos seus seguidores. Como Sade, temos também alguns exemplos fulminantes de personagens semelhantes tais como Gilles de Ray, Condessa Elizabeth Bathory, Vlad Dracul que inspirou a famosa obra de Bram Stoker (Drácula). Perdoe quem ler este texto, o entusiasmo da minha parte mas se aplicássemos este estudo do autor apenas a estas três personagens, a título de curiosidade, perdíamo-nos. Fica então Sade e avancemos:

"Imperious, choleric, irascible, extreme in everything, with a
dissolute imagination of the like which has never been seen,
atheistic to the point of fanaticism, there you have me in a nutshell
and kill me again or take me as I am,
for I shall not change, never."(…)

(…)"Breed of a nameless force, origin of our Sin
We are as large as Gods, we are their tragedy
We are the four arms of the solar Cross
Lightning in incredulous faces the flames of Uthopy

Would you die for this? “




Cap.2- O ódio de si próprio…

“In each of your failures
I saw my victory
And each time you fall
A knife tattoos a smile
On my lips
You are now empty of life
And we are drunk with death

Raw models
Ruin & Misery (…)”

(Fernando Ribeiro in “Irreligios”)


Quantas vezes nas mais diversas circunstâncias, olha-mo-nos no espelho e senti-mo-nos sujos? Quantas vezes, dissemos que nos odiamos a nós próprios por não ter correspondido às nossas/ outras expectativas? Quantas vezes desejámos comporta-mo-nos como uma avestruz para não encarar a vergonha do simples gesto de fitar-mo-nos em frente ao espelho?

O ódio de si próprio que todos, atrevo-me a dizer sem excepção, um dia sentiram, desabrocha neste capítulo uma vez mais à luz de Freud, como origem para a destrutividade humana segundo Arno Gruen. Com exemplos dilacerantes ressuscitados da Segunda Guerra Mundial, que no meu entender tornam-se suspeitos atendendo à loucura massificada que reinou na época, e que para bem da sanidade mental global não deveria ser muito mais remexida, pois estou convicto que ainda jazem secretamente na mente de muitas pessoas, -hoje ditas “normais”-, recordações dantescas das atrocidades cometidas. Prefiro figurar estilisticamente num sentido alegórico, sem querer ferir susceptibilidades, que esta foi a época em que o Diabo decidiu passar férias na nossa dimensão, iniciando um jogo de crueldade para testar os limites do homem. O resultado foi tão destrutivo, tão mais cruel que o seu próprio Inferno, que este compreendera finalmente a razão porque Deus nos abandonou na Terra agrilhoados à matéria, percebendo também, que Deus não fora cobarde neste ponto, apenas cometera um erro de cálculo, e a sua complexidade obrigara-o a começar do zero, pois o algoritmo que criara era irreversível.

Peço desculpa pela parábola mas estou convencido, embora tenha sido elaborada um pouco à pressa, que ainda me servirá mais à frente.

Segundo o autor, o ódio que ganhamos através dos mais diversos processos de renegação do Eu, numa primeira fase, através das imposições dos pais e numa segunda através das obrigações impostas pelo sistema em que o Eu se insere, dá origem ao recalcamento de Freud que se irá materializar no comportamento desprovido de compaixão para com o próximo. Dentro da mesma esfera, mas num panorama divergente verificamos que a maioria dos actos de crueldade cometidos pelas pessoas, na óptica de Gruen, tem origem na formação primária transmitida de mãe para filho: o carinho, os olhares, o toque, que depois de bem misturados (à sua falta) dão um enorme cocktail de raiva que terá de ser expandida para a nossa dimensão exterior, fazendo sofrer os outros que nos rodeiam, como um método de nos sentirmos vivos e de boa saúde. Perdido? Também eu, pois não consigo identificar basicamente nada neste capítulo que apoie um pouco da minha estrutura, sendo extremamente difícil manter a linearidade do texto escrito acerca do Cap.1.

O indivíduo que se encontra num estado latente de ódio, regozija-se de encontrar num outro as suas fraquezas, para ver com os seus próprios olhos, noutra perspectiva, a decadência interior em que se encontra. Até aqui temos um raciocinio ponderado e consonante com o excerto do poema de Fernando Ribeiro acima apresentado.
Num cenário de guerra, este parágrafo faz todo o sentido, porque o “carrasco” cego de fúria assassina pelo inimigo, subitamente vê uma vítima fisicamente indefesa, psicologicamente destruída, onde todos os sentimentos que se conseguem projectar, são pedidos de clemência por parte desta última, que lamentavelmente, só atiçam mais os desejos de acabar com aquela figura triste. Quando o “carrasco” por um momento ascende à qualidade de Deus, tendo nas suas mãos a vida de uma pessoa vista como inimigo, que o obrigou a estar naquela posição e provavelmente foi uma peça do puzzle que lhe destruiu a família, casa etc. Questão: o que faríamos?
Agora numa perspectiva longe da guerra, num dia a dia comum, este ódio quando sai das profundezas do inconsciente e se manifesta de forma incisiva sobre outra pessoa, à partida terá uma resposta à altura. Um adversário digno gozando das faculdades do poder de uso da argumentação para limar as aguçadas arestas das palavras que o acicataram. O “carrasco” neste caso, não dará logo o papel principal ao seu instinto assassino (se for propenso a isso), uma vez que acima deste existe o poder (Lei/ Estado) que o encarcerará. Entramos então numa batalha psicológica renhida. Em suma, ou o “carrasco” vê que está errado, tira uma conclusão e corrige o erro ou a vitima, sendo vitima da sua fraqueza, introduz no seu perfil exterior uma “firewall” que trave estes ataques antes de chegar ao seu Eu interior, permitindo-se desta forma não se magoar e cada um segue o seu caminho. Passamos então a ter um puro jogo de inteligência que poderemos assemelhar ao xadrez, como forma de materializar o conceito que justificará o Cap. 4 adiante.

O autor é extremamente incisivo na sua retórica de ódio, com ou sem razão, sendo os casos apresentados, na maioria, bastante esclarecedores. Voltamos ao nazismo e alguns dos prossecutores. Apenas lamento em tom de crítica, aqui sim a crítica, quando o autor despreza exactamente o ponto que eu, na minha humilde opinião, acho essencial para analisar o nazismo, neste caso os militantes, os partidários e os simpatizantes.

Para quem leu o Mein Kampf (A minha Luta. De Adolf Hitler), é extremamente fácil perceber que o ódio é mais fácil de adquirir do que o amor. E para isto contribuem (N) factores que nesta obra propagandista mas muito pessoal se encontram tão sinceros e enquadrados num contexto tão real, que após 84 anos da sua publicação, mesmo depois de tantas atrocidades, ainda temos dúvidas se esse ódio que Hitler carregava juntamente com o sonho da Germânia -espécie de Roma que seria a Capital do novo império- não era sustentado e exequível à luz da época. Quer eu quer algumas pessoas que conheço e estiveram em contacto com este, sentiram-se também como que fascinadas com a eloquência, esperança, objectividade, frontalidade e coragem com que este expressa as suas convicções mesmo estando preso por razões políticas quando o escreveu. Eis um verdadeiro exemplo do Eu ligado ao interior. Eis depois como exemplo uma prova da razão do autor no Cap.6. Eis os contra-sensos consequentes que surgem por abreviarmos os alvos de estudo.

Hitler não deixou de ser um monstro para a nossa história. Um verdadeiro exemplo de ódio incontrolável, megalómano, egocêntrico e calculista. Mas também nunca deixou de ser extremamente inteligente. Se tal como o autor contesta incomodado, o facto de como as patentes e povo se subjugaram àquilo que os especialistas na área consideram psicopatia no mais alto grau, estaria o povo alemão na quase totalidade a sofrer de neurose “apocalíptica” -passe a expressão-, ou haveria algo de terrivelmente errado na Europa e no mundo que a mesma história por questões que nos ultrapassam prefere manter ocultas? A facilidade com que depois todo esse povo se rende e adapta às Leis de uma nova democracia? É este o cerne de incómodo do autor? Pois bem! No Mein Kampf encontramos, digamos como por pura coincidência, uma quase profecia do que seria a democracia e como iria funcionar. Assim continua tal qual está escrito, com a diferença de ser a realidade actual. As pessoas que se adaptaram, apenas seguiram a sua vida, caso contrário, creio que a Alemanha teria cometido suicídio colectivo.

Os Judeus foram perseguidos ao longo de 2000 anos no decorrer da nossa história universal! Há mais até, mas fiquemos pelos 2000, porque eu como indivíduo simplista gosto de coisas simples e factos razoáveis. Na minha opinião, os judeus foram amaldiçoados no dia em que condenaram Jesus o Cristo à cruz. É assim que gosto de pensar no caso deste povo e muito sinceramente, sem qualquer sentimento religioso. Jesus de Nazaré, antes de passar a Cristo, foi talvez dos seres humanos mais misteriosos, influentes e actuais, ao longo da sua vida ecoando há dois milénios. Foi talvez o homem que mais sabia acerca de ódio e sentimentos recalcados. Foi talvez o homem que mais compaixão demonstrou para com o próximo, e foi sem dúvida um homem que por ter tanta inteligência, amor, dedicação, compaixão, filosofia prática e simples, foi condenado a sofrer uma morte tão dolorosa, cruel e indigna. Com toda a certeza foi o povo judeu que o “assassinou”, pelas mãos dos romanos, que também ficaram sem império depois deste triste episódio.
A ironia do destino, fez com que através de Mel Gibson (no contexto visual), tal qual Pilatos, também os Judeus 2000 anos depois quisessem lavar as mãos pelo seu crime mas, factos são factos e de factos reza a história!

Para quem lê esta síntese do ódio, fica a tentar perceber qual a origem e finalidade do retrato acima pintado -seguramente. Embora pareça, e admito que pareça, uma sátira de mau gosto, a verdade é que é a minha opinião sincera que desta forma demonstra claramente como se podem alimentar ódios subconscientes sobre pessoas que nem conhecemos. Porque o simples acto de conhecermos factos assim o proporciona, não sei se por razões ligadas à nossa natureza, se por motivos de falta de cultura, o que aqui, modéstia à parte, não é o caso. Embora ambas as suposições sejam válidas.

O ódio nasce de uma contrariedade, é movido por um desejo de destruição. O ódio existe em todo lado à espera de ser libertado, e sem dúvida que, é a génese da nossa asserção destrutiva. O ódio criou obras-primas como «O Conde de Monte Cristo» de Alexandre Dumas e criou no homem a sede de vingança. O ódio se não justifica pelo menos dá o mote racional aos mais reprováveis comportamentos humanos. O ódio é toda a força interior que nos conduz aos mais profundos e recônditos lugares da nossa inconsciência. E afinal, uma vez que tal em todo o processo de evolução humana nunca aconteceu, como será viver sem ódio?
A resposta será seguramente muito interessante, mas demasiadamente extensa e complexa. Não sendo eu dono da razão deixo ao vosso critério.

Arno Gruen é conclusivo nunca deixando de conseguir ser extremamente interessante. Eu apenas me relevo para a subjectividade da questão que coloquei atrás, e indico a doutrina espírita de Alan Kardek como um caminho a desbravar pelos aventureiros da consciência e que talvez, me sirva de apoio no capítulo que se segue. Resta alertar que pegando em Alan Kardek pela obra o “Livro dos Espíritos”, entramos na dimensão espiritual do tema. Fica a sugestão, porque estou convicto que o discernimento e profundidade das respostas que são dadas nessa obra, proporcionarão muitas e muitas horas de reflexões que poderão ajudar a compreender para quem não leu, um pouco da nossa natureza e o porquê do ódio.
Para quem não gosta de ler, -dos criadores de Matrix- aconselho a visualização de (V de Vingança), que sendo uma adaptação da obra de Dumas supra citada -embora não oficial- aos tempos de hoje, retrata o nascimento de um ódio, uma ascensão do mal à semelhança de Hitler, uma vingança e concretização da mesma, para no fim sermos brindados pelo arrependimento do personagem face a um amor interrompido pela morte em nome desse ódio. Brilhante e inesquecível! Fica a sugestão.

Assim concluo acabando com Fernando Ribeiro em continuidade da introdução feita, para dar fecho a este capítulo.

(…)“Allow me to doubt
We were lovers who could really share
The only love between us
Was hate

Without hope we could not fear
And silently we disappeared
Hand in hand, we took our lives
And together stopped being
Raw models on a novel of Ruin & Misery.”

(Fernando Ribeiro in “Irreligios”)


Cap.3- O culto da morte dissimulado…

“A única verdade absoluta que a vida nos oferece é a exacta certeza que um dia ela acaba.”

(O próprio in “Sina”)

O culto da morte dissimulado é uma expressão da coragem de Gruen ao longo das suas análises, onde aborda nada mais nada menos, do que a concretização do que a frase acima representa.
Sendo isto um facto inegável, é natural que o fascínio que temos pela morte seja notório sob qualquer perspectiva, ao abrigo de qualquer reflexão. Mais importante sobretudo, será levar em linha de conta as mais variadas interpretações e aceitações que esta preconiza nas culturas contemporâneas e ancestrais. A morte é tal como a vida um enigma indecifrável a todos nós, se não no campo da ciência biológica, seguramente nos seus propósitos leva uma clara vantagem na arte de ludibriar. É algo a que todos sem excepção, assistimos ou iremos assistir, quer seja através um de último suspiro de vida num corpo alheio às nossas relações, quer seja longe do olhar quando esta pilhar a vida de uma pessoa próxima de nós. A morte vista ou não vista para tudo cria o seu efeito de fascínio, pelo simples facto da verdade absoluta se resumir a uma palavra. Mortais! Somos fisicamente mortais, podendo ascender à condição oposta através do legado que deixamos através da obra, seja na arte em todas as suas acepções: a da palavra escrita, a da pintura, a cinematográfica etc. Acima de todas estas, a arte com que vivemos.

A morte é um veículo que nos transporta a duas dimensões. O poder e a cobardia. O sentimento de indiferença com que alguns de nós encaramos a morte, pode resultar de muitas circunstâncias que não apenas as que o autor condiciona aqui para o seu estudo. Na condição de mero assistente, o sentimento apático não terá propriamente que ser conotado à falta de compaixão. Poderá ser apenas a aceitação do inevitável. A minha profissão obrigou-me a conviver diariamente ao longo de dois anos com a morte. Naquilo que primeiramente se tornou pesaroso enfrentar -ver todo o tipo de pessoas a falecer por vezes em casos que nada o faria prever- transformou-se apenas numa realidade imutável que nunca deixou de exercer aquele magnetismo tão inexplicável, que nos atrai tal qual uma “Mona Lisa” que observamos sempre com uma renovada esperança de deslindar um novo segredo.

Posto isto, a morte como direito de escolha sobre terceiros, é uma terrível e perversa máquina de poder, sem dúvida, com consequências nefastas a médio/longo prazo para o seu representante. O caso do paciente de Kutemeyer no episódio do barco (pp 54), que podemos rever mentalmente de forma semelhante no filme Titanic, quando o capitão vendo o seu navio afundar, com o caos instalado e os batéis de salvação a serem ocupados anarquicamente, começa a disparar indiscriminadamente numa tentativa de restabelecer a ordem que talvez viesse a assegurar a vida de mais pessoas -da classe alta claro mas não é isso que está em causa- suicidando-se de seguida quando pôs a mão à consciência. A pergunta que se apraz pertinente é se o autor tem a consciência da pressão e estado de desespero das pessoas num momento destes, nomeadamente, quando o paciente de Kutemeyer se encontrava num cenário de guerra, no interior de um navio que fora torpedeado. O arrependimento de que este sofre é uma prova de que a sua natureza não é de má índole, sendo ele assaltado pelas faces das mulheres que matou. Mulheres estas que na sua histeria destruíram as luzes de emergência do navio. Ele apenas reagiu ao que a sua cobardia lhe ordenou, e se com isto não pretendo justificar os actos do mesmo, também não o posso condenar porque não vivi aquele momento. Creio que é a mais básica das reacções que protegem a nossa vida. Ou tu ou eu, e neste caso afastando situações em que exista filiação a resposta é simples. O facto de ele pedir ajuda é a prova de que a morte destrói tudo, quer para os que a sofrem quer para os que a provoquem. Tudo o que vai para além disto é pura filosofia, que provavelmente daria melhores resultados do que voltarmos a desenvolvimentos deturpados de crianças freudianas subjugadas ao poder, a roerem-se de ódio na sombra dos pais autoritários que depois culmina neste culto de morte dissimulado.

A hipnose de que a morte se traja, na mais diversa simbologia que nos afecta a vida por imposição de pedaços de pano que identificam o território que habitamos, ou por dogmas a que nos entregamos, nacional-socialismo ou igreja católica apostólica romana respectivamente e a título de exemplo, representa a cruel realidade de que a necessidade política ou espiritual, fazem as massas encomendarem de boa vontade a morte mais cedo. Lamentavelmente, milénios de história ensinaram-nos a ser assim, e assim continuaremos até que alguém com poder resolva acabar com territórios que pertencem todos à mesma terra, acabar com dinheiro que só alimenta a cobiça e compra a morte a milhões de crianças em África, e daqui nunca mais acabávamos, infelizmente, de dar exemplos do porquê de termos essa faceta de assassinos quando a nossa vida corre risco, e do porquê sermos cordeiros submissos aos pastores do poder quando a nossa vida vai boa, sempre com um sorriso irónico para ela, porque sendo esta certa, é apenas uma cláusula de um contrato a termo incerto, que podemos negociar em função do nosso conforto interior.

Compreendo perfeitamente todo o esforço e eloquência de Gruen na análise do tema, e acima de tudo respeito o resultado das conclusões que ele expõe à luz da sua ciência, mas de todo, jamais condicionaria a minha opinião por esta via, uma vez que a profundidade da análise dos comportamentos face à morte, ou a hipnose a que a morte nos submete é bastante difusa, requerendo uma passagem com estadia -passe a expressão- por todos os campos do conhecimento humano, numa visão global em que se encontre uma simbiose perfeita da vida com a morte, o que é impossível sem partirmos para a dimensão esotérica.
Encerremos este fraco capítulo, e digo fraco no que concerne à minha dissertação por razões já esclarecidas, ao sabor da espirituosa e paradoxal sabedoria francesa.

“A morte não nos diz respeito nem mortos nem vivos: vivos, porque ainda o estamos, mortos, porque já não existimos”

(Michel de Montaigne in “Ensaios”)



Cap.4- Sentimentos Postiços.

(…)”Tenho mil caras na máscara que se te apresenta
Mil e um sentimentos num único coração
Uma alma no carácter que se ausenta
Quando abro o Xadrez em minha mão”(…)

(O próprio in “Medusa”)

Eis-nos chegados ao capítulo, que mais interesse me suscitou como pessoa curiosa que sou no campo do conhecimento. Falar de sentimentos postiços é afirmar que todos nós somos hipócritas por natureza, o que não deixa de ser uma verdade. Da introdução da minha autoria extrai-se exactamente a essência dessa hipocrisia que o mundo nos ensina diariamente a estudar e fazer uso dela. O Carnaval, como festa, na sua origem, serviu concretamente essa hipocrisia que todos abraçamos em função da nossa conveniência, servindo-se de máscaras para se dizer tudo o quanto ia na alma, que como é óbvio, não podia ser dito com total desplante no dia-a-dia. Com mais subtileza e mestria fizeram grandes autores da literatura clássica estas críticas, aos comportamentos, aos poderes instituídos, à submissão, aos jogos de poder, à ignorância, e tudo quanto mais existe no interior da nossa natureza que não raramente culminavam na romântica salvação da morte. Por esta razão, no capítulo anterior menosprezei um pouco a retórica do autor uma vez que, se para conhecimento dos factos e cronologia da história nos servimos de uma boa enciclopédia, para conhecimento das pessoas, da época e tudo o que as envolve nesses acontecimentos servi-mo-nos de um bom romance da época, de um grande autor, claro está.

Ao contrário do que Gruen revela no grande enaltecimento da morte na literatura por questões pendentes ao seu estudo, é nesta (literatura) que mais claramente podemos encontrar a natureza desta fachada de sentimentos e falsas morais que se impõem como forma de “sobrevivência” na sociedade, quer nas razões e mecanismos que os provocam, quer na índole do carácter das pessoas que deles fazem uso.

Por norma afirmo peremptoriamente que não conheço as pessoas no seu todo. Por norma também daqui advém um sentimento de cepticismo e ofensa da parte de quem “leva” com este argumento. A realidade é que todos nós somos imprevisíveis. Costumamos falar dos nossos carros como bons carros, com um comportamento muito sóbrio em estrada e nem nos apercebemos que este simples “gesto” diz muito de nós. O carro, sem dúvida que é sóbrio em estrada, mas gozará dessa sobriedade num trilho de Rally? As pessoas têm uma vida por norma muito linear, muito rotineira, e isso cria um sentimento de estabilidade, harmonia, segurança e conforto, tornando-as pacatas. Mas já dizia o sábio: «há sempre um mas», e a estrada rodoviária não é muito diferente da estrada da vida onde um único obstáculo inesperado pode retirar todo o controlo do carro que era tão sóbrio, tão seguro. O carro é seguro, na verdade, apenas não estava preparado para reagir prontamente àquela situação. As pessoas são iguais. E se por acaso ainda quisermos dizer que as pessoas têm a capacidade de analisar as situações e reagir de forma sóbria -o que é uma verdade também- digamos que um carro tanto anda a 50km como a 200km, assim como tanto circula de dia como de noite. As pessoas também. Fica a metáfora que explana um dos pontos que se extraem do capítulo afecto aos comportamentos inesperados das pessoas. O que agora está em voga no mundo automóvel (o tunning), é mais uma vez o inconsciente do nosso alter-ego a criar à nossa imagem. O carro se levar isto e aquilo, (peças, pintura, jantes) diferentes das originais fica mais bonito, vistoso, rápido etc. Agora apliquemos esta noção ao nosso mundo interior e coloquemos a questão: não seremos um pouco assim?
No mundo automóvel o carro nunca deixa de ter a sua estrutura original (quadro e carroçaria) mas adapta-se melhor à estrada e ao ego do proprietário. E nas pessoas: a quem se destinam e adaptam as suas alterações exteriores? Saltemos para outro ponto.

Propaganda:

A violência tem dois níveis de aceitação e duas facetas distintas. A violência praticada em prol do bem e a violência cometida por pura maldade. É engraçado que a violência nunca deixa de ser diferente nos objectivos e nas consequências, apenas a empatia varia. As pessoas que repudiam a violência num acto criminoso, seja qual for a natureza deste, aplaudem veementemente a violência praticada pelas forças da ordem e do poder, como forma taxativa de controlar um prevaricador. Temos um sentimento postiço criado a afogar o Eu.

As pessoas que não conseguem superar as expectativas e metas impostas pelo seu fraco interior, criam um sentimento postiço e ocultam o Eu.

As pessoas que renunciam às exigências impostas, ao contrário das acima referidas, soltam o seu Eu e depois vivem ao deus-dará, por isso voltemos aos sentimentos postiços.

As pessoas enterram o seu Eu no interior da mente, porque sentem-se compelidas a amar a sua fachada decente, pois o mundo só olha para o exterior, o que é uma verdade, e como num grande amor, alguém tem de sair sacrificado. Vele-se esse Eu porque a chegar estão os sentimentos postiços para confortar as suas fraquezas interiores.

Obedeça rigorosamente a tudo quanto lhe impõem e viva no mundo dos sentimentos postiços. Não traga para fora o seu Eu do século XIX porque no século XXI somos peças duma máquina que se quer autómato e não autónoma. Abrace os sentimentos postiços e veja a sua vida engrandecer e o seu Eu apodrecer.

Meu Deus! Haverá alguém verdadeiro neste planeta?

Voltando ao tema:

Conseguirá alguém explicar a necessidade que temos de adaptar comportamentos e posturas para vivermos “desarmoniosamente”? (porque é este o termo? Não! Mas imperativamente é isso que fazemos diariamente. O problema de racionalizar um Eu que por natureza é irracional, consiste apenas em equacionar a lógica e a subjectividade que iguala à aritmética do vazio. Se a construção e visualização do Eu requer matérias para o fazer (meio) é natural que haja adaptações, mutações naturais, alterações de projecto etc. em prol da estabilidade da estrutura. Mais natural, é compreender que o que hoje tomamos como aceitável amanha poderá ser desprezível e condenável. A realidade é que somos mesmo uns bichinhos muito instáveis, principalmente quando não temos algo mais transcendente para nos apoiar. Diz o provérbio que a vida são dois dias e o Carnaval três. Convenhamos que nada como a sabedoria popular para nos orientar quando nos achamos perdidos. Não é que o Carnaval é prodígio em máscaras e enfeites e a vida tão cinzenta?

Se o Homem não gostasse de inventar sentimentos o teatro nunca teria existido. Do teatro ao cinema e por ai diante. Os sentimentos postiços são filhos da vida postiça que vivemos. Não raras vezes desejei ser um monge no Tibete. Encontrar a harmonia plena e a paz de espírito mas, se já me chateio de estar trinta minutos a olhar para o tecto enquanto penso na vida, abertamente, fazer disso vida e ainda levar com chineses alucinados tira logo a graça toda.

A partir deste capítulo pouco ou nada há a acrescentar digno de relevo uma vez que o quinto prende-se com tipo de comportamentos adoptados pelas pessoas; no sexto o eterno vilão Poder; no sétimo um apontamento de uma obra literária; e no ultimo a conclusão do autor. A razão pela qual saltarei estes capítulos é apenas por mais uma vez, encontrarmos as más mães de Freud e o sistema opressor como causa dos comportamentos desviantes ou submissos das pessoas. Como isto pretende ser uma reflexão para pessoas que já estiveram em contacto com a obra, não acho necessário dizer mais do mesmo. Com isto não quero dizer que desprezo ou escarneço das convicções do autor, pelo contrário, respeito e compreendo as suas intenções, acima de tudo o seu esforço para encontrar uma via para a preservação do homem como ser. Tudo aquilo que se faça em prol da compreensão do homem enquanto ser pensante, é sempre de enaltecer.

Hino à loucura.

“Que há de mais absurdo que o progresso, já que o homem, como está provado pelos factos de todos os dias, é sempre igual e semelhante ao homem, isto é, sempre em estado selvagem”

(Charles Baudelaire in “Progresso”)

Arno Gruen foi notável e corajoso, ao afirmar-se neste mundo de loucos e para loucos com um livro interessante e digno de registo, num contexto actual à luz da sua ciência. Se ao longo do registo por mim efectuado eventualmente parecer haver um certo cepticismo, ou por assim dizer, uma certa leviandade na abordagem feita às dissertações do autor, será naturalmente um engodo provocado pela sintetização de tão vasto tema. O problema em avaliar as teses, surge necessariamente das experiências, acima de tudo, de todo o suporte literário que acompanha inevitavelmente os pensamentos do avaliador.

Há tempos ouvi, não recordo onde, que as pessoas são aquilo que lêem, e, na verdade, identifico-me claramente com esta expressão. Dai defender no primeiro capitulo que todos temos o poder de modificar-mo-nos para melhor, a partir do nosso ponto de maturação. Apenas depende da nossa vontade. A ignorância é um estado a que todos estamos obrigados à nascença. Ninguém neste mundo nasce ensinado mas, infelizmente, nem todos aprendemos, exceptuando casos do foro patológico mental, porque não queremos. Actualmente as coisas vão de mal a pior. A tecnologia vigente furta cada vez mais tempo, essencialmente aos jovens, que se desviam da procura de conhecimentos através da leitura. O simples acto de ler, e quando falo em ler, falo de obras interessantes, não de livros de bolso do estilo Arlequim, obriga a reflectir e de uma forma directa ou indirecta, imprime em nós uma diferente forma de estar na vida.

O homem aprendeu a viver dos fragmentos da disparidade; do vazio. É impossível ao homem assimilar um todo, um conjunto completo e uniforme que dê sentido à vida, mas sobretudo, um espírito de fraternidade. Uns porque sendo desligados da sua espiritualidade rendem-se à realidade, outros que por serem ligados à sua espiritualidade se ofendem com a realidade. O desequilíbrio que resulta destes aforismos são lamentavelmente as verdade que nunca conseguiremos alterar. Somos demasiados a co-habitar o mesmo globo e todos desengrenados da grande máquina de fraternidade que nos votaria a um estado de paz global. Dissera anteriormente que a parábola ainda me iria servir. Serve agora. Este foi o erro de cálculo de Deus, não a sua cobardia. A irreversibilidade de todo o processo de criação prendeu-nos à imperfeição. O passado é um fantasma que nos persegue desde o momento em que este passa a existir, até ao momento em que nós deixamos de viver. Procurar nos meandros do inconsciente as razões das nossas ímpias projecções exteriores através dos maus pais freudianos, é uma batalha perdida. Não precisamos necessariamente de ter medo de um fantasma que é vitima da ignorância. Precisamos sim de temer os 312 meses, os sensivelmente 9490 dias, as 227760 horas e os 13665600 minutos, à razão de 26 anos num preciso momento atrás, o ignorante que rejeita cultivar o seu fantasma.

Afinal como podemos avaliar a realidade se não conhecemos outra? Como podemos alinhavar a normalidade se somos todos loucos? Como poderemos ser melhores se não existe definido um objectivo para a humanidade? Este é o nosso Matrix sem comprimidos nem efeitos especiais, e é nele que estamos presos até que a morte nos separe.
A génese da nossa destrutividade reside sem dúvida no nosso interior, interior para o qual temos pouco tempo para lhe dar atenção. Fazer algo de útil por todos nós, obrigaria a reprogramar a Matrix, tarefa impossível
enquanto houver linhas de código corrompidas a querer dominar o sistema.
Como de inicio perspectivei, vou terminar este trabalho com um pouco de um texto a propósito do tema, da minha autoria, do qual lhe furto o título por ser um pouco agressivo:

Todo o homem é uma representação viva do dualismo de carácter! Um antagonismo de valores expresso no próprio desenvolvimento e conhecimento humano. A indução da tentativa e erro. A humanidade celebra a prevalência num mundo cuja sua natureza desconhecida obedece, e deve submeter, mas orgulhosamente despreza. Quão infinito é o nosso conhecimento? Quão limitadas são as nossas formas de percepção? Louco é todo aquele, que delineia patamares de consciência à imperceptibilidade do próprio espírito agrilhoado. Existem múltiplas formas e fórmulas de pensamento, associados a um padrão de receptividade manipulada. Cada consciência liberta um valor individual! Individualismos conscientes da ignorância imperiosa e imperialista, desencadeiam uma ameaça apocalíptica à individualidade do ser! Uma imperfeição propositada em função da natureza. Uma oferenda de Deus à semelhança do seu estigma . Se tudo obedece a um ciclo de continuidade regeneradora infinita, porquê limitar-mo-nos a uma eternidade finita de ser?

“You and me will all go down in history,
With a sad Statue of Liberty,
And a Generation that didn't agree.

I forgot to
I forgot to let you know that...”

(System of Down in “Mesmerized”)



Fim

C.M

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 9:59 am

Este livro é divinal,um pequeno/grande tesouro entre mãos uma verdadeira reflexão de consciência individual .
"Mascaras todos a sabemos usar,saber tirá-las é que é o caraças...."

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 10:05 am

Pois eu não gostei nada, mas deu gozo escrever isso Twisted Evil

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 10:19 am

Explica porque então?
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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 10:22 am

Já o fiz nessa "reflexão" que aí está.


Última edição por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 6:47 pm, editado 1 vez(es)

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 10:28 am

Eu também não, mas ao fazer apercebo-me de muita coisa que também não gosto, mas é a realidade e quanto a isso não posso fazer nada. Posso melhorar algumas mas outras irão sempre permanecer no meu "Eu" interior. Quer gostem quer não gostem eu sou assim e ponto.
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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 7:17 pm

A realidade, ou a percepção que temos dela, é mutável ao longo da vida. Ninguém nasce pré-destinado a ser aquilo em que se tornou, mas está capacitado, à partida, salvo limitações mentais, mudar aquilo em que se transforma. É um facto que a consciência é um produto do meio, a psicologia atesta-o, mas a consciência pode ser questionada a todo e qualquer momento da vida. A relutância à mudança de consciência e realidade é um produto do orgulho e nada mais. Portanto, podemos dizer não raras vezes que, a pessoa torna-se escrava da fronteira que ela própria estabelece em torno da sua realidade. A minha aversão à psicanálise advém do arquétipo que se tornou lei para fundamentar a inércia de se superar a si próprio. Obviamente que os especialistas da matéria logo se "enchonfram" como se aquilo que defendem fosse a mais válida das teses cientificas alguma vez criadas, quando por portas e travessas se sabe o quão cientifico foi o seu fundador.

Não deixou de ser um interessante e aturado trabalho do autor em busca da raiz do mal, mas sinceramente, más mães, maus pais e Freud à mistura, não combinam com a minha maneira de ser e ver a realidade que me rodeia. Todo o homem tem o principio activo de evolução inerente à sua condição. As realidades que induzimos em torno desse principio é que geram os pensamentos condicionados, as realidades amputadas, e as consciências deturpadas. A culpa daquilo em que nos tornamos - no ponto de maturação do individuo -, é da inteira responsabilidade dele, pois ele, enquanto individuo, é responsável por si próprio e pela sombra que projecta do seu Eu, à luz da relação interpessoal. Agora das duas uma, ou se liberta dos fantasmas que carrega e vive, ou se entrega a eles e deixa estes viverem. Qualquer das opções é válida, tal como a responsabilidade da sua escolha é apenas dele.

O recalcamento freudiano é sem sombra de dúvida um elemento aceitável no mundo da psicologia, mas não pode de modo algum justificar a totalidade do comportamento, ou ser a causa primeira, a semente do mal. Porque a semente só germina se dela cuidarem, ou quando exposta às condições ideais. Estando certos de que não somos uma árvore, a mudança é sempre um elemento presente.

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 7:43 pm

Sabes, uma vez tive uma discussão com uma professora de Psicologia que afirmava que os filhos são produto o dos pais.
Se és filho de um pai alcoólico serás um pai alcoólico,se és filho de um pai violento,serás um pai violento e por aí adiante...dado a minha experiência como filha de um pai em que ambas as coisas permaneceram na minha infância,contrariei a tese (escusado será dizer que caio o Carmo e a Trindade na sala de aula) tongue
Tenho amigos que são filhos de pais alcoólicos violentos e negligentes e são um exemplos da sociedade,seja a nível pessoal e social,são excelentes pais e mães.
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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 8:01 pm

A psicologia não é ciência exacta, longe disso. Conheço bem esse discurso e discordo quase na totalidade com ele. É uma verdade, apenas se o individuo se permitir ser igual ao pai ou mãe. Reconhecer o erro do pai e tornar-se igual a este, clamando ao recalcamento a génese desse desfecho, é meramente uma manobra de hipocrisia e cobardia. Os filhos são efectivamente produtos dos pais até que a consciência filial, atinja o ponto de reconhecimento da individualidade de ser. A partir daqui, cabe a este articular a realidade dos pais com tudo o que lhes é inerente por direito até determinada idade, (a própria lei civil define e passa a reconhecer o individuo como autónomo, responsável por si e pelos seus actos), com a sua própria realidade e liberdade de escolha.

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 8:24 pm

No entanto chamo a atenção que podemos notar algumas fragilidade mínimas que o individuo pode melhorar ao longo do tempo. Dou o exemplo ansiedade e revolta.
Ansiedade por lutar por uma realidade diferente da que viveu,e revolta por não saber apaziguar alguns dos seus sentimentos,temos o caso dos psicopatas por exemplo.
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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 8:34 pm

Todas as pessoas têm as suas fragilidades. O filme «O Padrinho» foca muito bem essa condição defensável. Mario Puzzo confere-lhe uma sensibilidade literária digna de figurar em qualquer escola de psicologia, e Copolla, visualmente, dá-lhe todos os ingredientes para se estabelecer na mente. Twisted Evil

Psicopatia é neurose e obedece a um conjunto de factores que poderá ser mais enquadrado na área da neurologia do que propriamente na psiquiatria como a conhecemos. É um tema demasiado complexo para o fundirmos aqui.

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 8:52 pm

Deste um bom exemplo sem duvida mas eu vi quando era miúda vi várias versões do padrinho e agora estou baralhada What a Face

Se tiveres a sinapse ou algo assim... Wink
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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 8:55 pm

Como é que é? Padrinho só há um, dois e três Mad

Tristeza... Evil or Very Mad Francis Ford Copolla como realizador. Marlon Brando, Al Pacino, Andy Garcia e um toque do Robert de Niro como actores principais. Que crime o teu. Evil or Very Mad

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 9:07 pm

Quando era miúda a minha televisão era limitada e mesmo sabendo que existe só as três versões mais tarde tentei ver todas até ao fim mas as versões eram adulteradas cortavam o filme a meio e acabei por perder o interesse. Shocked

Mas fazendo aqui uma breve sinapse à minha maneira lol! sei que era um homem que comandava os negócios da heroína na América ...assim por alto era um bom chefe família onde os valores familiares eram para ele o mais importante apesar de pertencer à máfia e ter mandado matar várias pessoas que no entender eram infiéis,conseguiu gerir estes dois paradoxos sem qualquer problema.


Última edição por anokidas em Dom Mar 03, 2013 9:25 pm, editado 1 vez(es)
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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 9:24 pm

Nop. No drugs

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 9:41 pm

Sinopse
Nova Iorque, anos 40. As organizações do crime debruçam-se sobre a emergência do consumo de drogas e a oportunidade da sua comercialização. Muitos antevêem na droga uma oportunidade irrecusável de expandir os lucros de uma forma nunca antes vista. Don Vito Corleone, o poderoso chefe do clã Corleone, opõe-se, dando origem a uma guerra sem tréguas entre as Famílias e à luta desesperada pelo controlo do submundo da Máfia.
Brilhantemente escrito e com descrições notáveis do quotidiano de uma família mafiosa, O Padrinho é uma obra plena de personagens inesquecíveis, que deu origem à famosa trilogia cinematográfica realizada por Francis Ford Copolla.
Havia drogas sim,podia não ser o objectivo principal,não estou a conseguir encontrar a versão que vi mas de qualquer das maneiras o objectivo era fazeres a comparação ao tema do tópico,e como eu não vi filme ou pelo menos não o vi todo ,diz então que comparação queres fazer.
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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 9:50 pm

Nenhuma. Referiste a fraqueza das pessoas, e eu referi-te o filme. A forma como explora essa realidade. Só isso. Não estava a inserir o filme no tema do tópico. Drogas não há no sentido de o filme ser rodado em torno disso e muito menos ser o negócio da família. Já la tens o trailer no devido sitio.

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por anokidas em Dom Mar 03, 2013 10:31 pm

Sim já estou a perceber a minha confusão,a minha confusão era de um filme com o Alpacino que deu aqui há uns anos do estilo padrinho,lol drunken
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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

Mensagem por Mephisto em Dom Mar 03, 2013 10:31 pm

Scarface Wink

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Re: A LOUCURA DA NORMALIDADE (O realismo como doença: uma teoria fundamental da destrutividade humana)

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